Casa Branca adverte para veto de projeto republicano

Washington mantém impasse sobre teto do endividamento, enquanto projetos de ambos os partidos enfrentam resistência.

BBC Brasil, BBC

26 de julho de 2011 | 22h29

A Casa Branca advertiu nesta terça-feira que o presidente dos EUA, Barack Obama, pode vetar um plano de corte orçamentário proposto por líderes republicanos, em novo capítulo do impasse partidário que ameaça o cumprimento das obrigações financeiras do país.

Ao mesmo tempo, o plano, apresentado pelo presidente da Câmara dos Representantes (deputados federais), o republicano John Boehner, enfrentou resistência dentro de seu próprio partido.

Políticos em Washington não conseguem entrar em acordo quanto a cortes orçamentários que reduzam o deficit do país, bloqueando a votação de um aumento do teto do endividamento dos EUA.

Como a dívida já alcançou esse limite, o teto precisa ser elevado pelo Congresso até 2 de agosto, quando os EUA não terão mais como cumprir com suas obrigações financeiras, arriscando uma moratória que pode ter efeitos na economia global.

A elevação do teto da dívida já foi aprovada diversas vezes na história americana. Neste ano, porém, republicanos conservadores se recusam a aprová-la sem que esteja vinculada diretamente com cortes profundos no orçamento americano, de forma a evitar a continuidade do endividamento.

Democratas, por sua vez, rejeitam cortes em programas sociais e exigem fim de isenções de impostos para a população mais rica - ideia rechaçada pelos republicanos.

Planos

Uma nova rodada de propostas, de ambos os partidos, teve lugar na última segunda-feira. Tanto Obama quanto Boehner fizeram discursos televisionados, em busca de apoio público para suas estratégias de resolver o impasse.

O projeto apresentado pelos republicanos inclui cortes de gastos, impõe limites em gastos futuros e aumenta em US$ 1 trilhão o teto de endividamento dos EUA - o que não seria suficiente para durar até as eleições de 2012.

Esse aumento de limite estaria condicionado à aprovação, no Congresso, de cortes em programas estatais.

Nesta terça, a Casa Branca disse em comunicado que o governo "se opõe fortemente" ao projeto, advertindo que os conselheiros de Obama recomendariam o seu veto.

Há relatos de que o projeto, cujo debate na Câmara estava agendado para esta quarta-feira, só deva chegar ao Plenário na quinta, em meio a divergências dos próprios republicanos quanto ao alcance dos cortes propostos.

Mas Boehner defendeu o plano, dizendo que ele é "responsável" e que pode passar nas duas Casas do Congresso.

Ao mesmo tempo, no Senado, o líder da maioria democrata, Harry Reid, pediu aos republicanos que apoiem a sua proposta, que não envolve aumentos de impostos e prevê cortes de US$ 2,7 trilhões ao longo de uma década, protegendo programas sociais.

O plano tem o endosso da Casa Branca.

Mas, na véspera, Boehner havia dito que as propostas dos democratas contêm "enganações" contábeis e que não reduzem programas que, na sua opinião, são os grandes causadores do deficit. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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