Casa Branca ameaça vetar plano de Boehner

Segundo Obama, nova proposta forçaria EUA a enfrentar novamente a ameaça de um calote em seis meses; para ele 'a plano não resolve o problema'

Álvaro Campos, da Agência Estado,

26 de julho de 2011 | 16h28

A Casa Branca emitiu nesta terça-feira, 26, um comunicado ameaçando vetar um plano para a elevação do limite de endividamento dos Estados Unidos apresentado pelo presidente da Câmara, o republicano John Boehner.

No comunicado, a Casa Branca afirma que os conselheiros do presidente Barack Obama recomendariam que ele vetasse o projeto, caso a proposta seja aprovada pelo Congresso. Mas o projeto não deve chegar à mesa de Obama, já que o republicano Jim Jordan, líder de um grande grupo de conservadores na Câmara, disse hoje que está "confiante" que o Partido Republicano não tem os votos suficientes para a aprovação do projeto. Ele lidera um grupo de 178 republicanos, dos 240 que existem na Câmara.

A proposta de Boehner cortaria o déficit dos EUA em pelo menos US$ 3 trilhões em um período de dez anos, enquanto elevaria o teto da dívida em duas fases. Obama, em um discurso televisionado, criticou ontem o plano do presidente da Câmara. "A nova proposta que o presidente Boehner revelou, que estenderia temporariamente o teto da dívida em troca de cortes de gastos, nos forçaria a enfrentar de novo a ameaça de um default daqui a seis meses". Obama acrescentou ainda que, "em outras palavras, a proposta não resolve o problema".

Segundo o presidente dos EUA, um caminho mais adequado é o plano apresentado pelo líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid. Esse plano estenderia o limite de endividamento até 2012, mas não inclui nenhuma nova fonte de receita, ou impostos. Obama defende a elevação de impostos como parte de um pacote de redução do déficit. Não está claro se o plano de Reid pode ser aprovado pelo Congresso.

Nesta terça, o senador Mitch McConnell, líder da minoria republicana no Senado, disse que a proposta do senador democrata "depende de reduções de gastos muito suspeitas", já que o projeto de Reid prevê que US$ 1 trilhão dos cortes de gastos previstos virá com a retirada das tropas norte-americanas do Iraque e do Afeganistão.

A Casa Branca anunciou hoje que os EUA não terão "espaço de manobra" para evitar uma moratória (default) no dia 2 de agosto, a não ser que o limite de endividamento do governo federal seja elevado. Segundo o secretário de Imprensa do país, Jay Carney, o Departamento do Tesouro norte-americano não poderá privilegiar um ou outro pagamento ou adotar outras medidas com o objetivo de evitar um default na próxima terça-feira, quando os EUA devem ficar sem dinheiro em caixa para cumprir suas obrigações financeiras se não houver aumento no limite de endividamento.  As informações são da Dow Jones.

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