Casa Branca diz que revê proposta protecionista

Após reação internacional e local, a Câmara do Comércio dos EUA ataca o ?buy American?, Obama pode vetar medida

, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

O governo de Barack Obama está revisando as cláusulas "buy American" do pacote de estímulo econômico aprovado pela Câmara dos EUA para determinar se elas podem entrar em conflito com regras comerciais, segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs. O porta-voz afirmou que o governo ainda não decidiu se vai apoiar as medidas, exigindo que o aço e o minério de ferro usados em projetos de infraestrutura sejam comprados apenas de companhias americanas. Questionado sobre se as cláusulas vão violar leis de comércio, Gibbs disse que "é exatamente por isso que a administração fará a revisão". As medidas foram criticadas pela Câmara de Comércio dos EUA e por alguns parceiros comerciais, como Canadá e Itália.Gibbs amenizou temores de que o pacote de estímulo possa ser atrasado por causa dos atuais debates no Congresso, que incluem um plano alternativo que está sendo elaborado pelo senador republicano John McCain, que foi candidato ao governo dos EUA. Gibbs disse que o pacote deverá ficar pronto como programado, em meados de fevereiro. "Do modo como vemos o calendário legislativo, não enxergamos nenhum atraso no horizonte e eu não acho que os americanos querem ver Washington adiando o que eles sabem que nós precisamos", disse Gibbs.CRÍTICASA Câmara Americana de Comércio atacou ontem as medidas protecionistas: "Essas provisões vão levar a perda de empregos americanos, vão desencadear retaliação por parte de nossos parceiros comerciais, desacelerar a recuperação econômica ao adiar projetos de infraestrutura e afetar nosso papel de liderança em livre comércio e comércio justo", disse o presidente da Câmara, Thomas J. Donohue. A Câmara representa mais de 3 milhões de empresas americanas. "Se nosso objetivo é criar empregos com salário decente aqui em casa ao vender produtos ?made in America? no exterior - onde 95% dos consumidores do mundo vivem - então exigir fornecedores americanos não faz o menor sentido; se nós nos recusamos a comprar produtos estrangeiros, nossos parceiros comerciais vão se recusar a comprar nossos produtos - e já que nós somos o maior exportador do mundo, quem vai sair perdendo?"A proposta deve ser votada no Senado na semana que vem.

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