Casa Branca prevê déficit fiscal de US$ 165 bi

As freqüentes baixas nas bolsas de valores americanos vão levar os Estados Unidos a entrar no vermelho. A Casa Branca previu ontem que o déficit orçamentário do ano fiscal de 2002, que termina em 30 de setembro, será de US$ 165 bilhões, um aumento de 46% em relação à previsão de feita em fevereiro: US$ 106 bilhões. Esse será o primeiro resultado negativo desde 1997. No ano passado, houve um superávit de US$ 127 bilhões. Segundo analistas, vários fatores provocaram o déficit: desvalorização das ações (com menos lucros, os investidores pagam menos impostos), recessão, corte de impostos, a luta contra o terrorismo e a fraca recuperação econômica. O Escritório de Orçamento da Casa Branca está prevendo que o déficit vai diminuir nos próximos dois anos (US$ 109 bilhões em 2003 e US$ 48 bilhões em 2004) até voltar para um superávit de US$ 53 bilhões em 2005. Os técnicos do governo também ampliaram suas previões para o crescimento da economia neste ano fiscal: 2,6% de 0,7% previsto no começo do ano. A questão do déficit será bastante utilizada na campanha para as eleiçoes legislativas de novembro, com os democratas culpando o governo e os republicanos responsabilizando fatores externos. ?O presidente (George W. Bush) é o primeiro a reconhecer que quando os países têm emergências, quando eles enfrentam guerras e quando têm recessão, um déficit é uma forma apropriada para enfrentar a guerra e combater a recessão?, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer. ?O presidente joga com as cartas que tem?, completou. A oposição democrata não se convenceu. O déficit está crescendo em progressão geométrica?, acusou o líder dos democratas no Senado, Tom Daschle, que chamou a política fiscal do governo de desastrosa. ?Até quando esses números vão piorar até que o governo reconheça que seu orçamento é uma fonte do problema é que não há um caminho fácil para um orçamento equilibrado?, declarou o deputado John Spratt, líder do partido na Comissão de Orçamento da Câmara. O déficit fiscal deve minar ainda mais a confiança dos americanos em sua economia. Uma pesquisa divulgada ontem pela Universidade de Michigan mostrou que o índice de sentimento do consumidor registrou uma forte queda, passando de 92,4 em junho para 86,5 em meados deste mês de julho. A queda do sentimento foi motivada, principalmente, pelo amplo declínio do subíndice de expectativas dos consumidores. O relatório mostrou que esse subíndice recuou de 87,6 em junho para 78,5 em meados do mês. O item sobre as condições atuais teve um recuo mais suave, de 99,5 em junho para 99. VarejoApesar dessa desconfiança, as vendas do varejo americano em junho superaram as previsões, impulsionadas pelo desempenho das concessionárias de veículos. O Departamento do Comércio informou que as vendas cresceram 1,1% em junho, após terem caído 1,1% no mês anterior. Inicialmente, o departamento havia divulgado queda de 0,9% em maio.As vendas do varejo, excluindo as de automóveis, aumentaram 0,4% em junho, após recuo da mesma proporção no mês anterior. O desempenho do varejo divergiu do projetado por Wall Street. Economistas previam aumento de 0,7% para as vendas gerais e de 0,5% para vendas excluindo automóveis. Os gastos dos consumidores são vitais para a recuperação dos EUA já que respondem por dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) do país. As vendas de automóveis cresceram 3,4% no mês, o que representou o maior aumento desde outubro. Os analistas previam crescimento das vendas de automóveis em razão das campanhas promocionais promovidas pelas concessionárias. A s vendas de gasolina nos postos caíram 0,1%, enquanto as das lojas de vestuário cresceram 2%. AçõesJá o mercado americano de ações voltou a fechar em queda. No caso do índice Dow Jones, foi o quinto pregão consecutivo de baixa. Embora esta tenha sido a pior semana do ano para o Dow, o índice ainda está acima da mínima pós-11 de setembro, de 8.235,81 pontos, alcançada em 21 de setembro do ano passado. O Dow Jones fechou em queda de 117,00 pontos (1,33%), em 8.684,53 pontos. O Nasdaq fechou em baixa de 0,93 ponto (0,07%), em 1.373,50 pontos. Na semana, o Dow acumulou uma queda de 694,97 pontos (7,41%) e o Nasdaq, uma queda de 74,86 pontos (5,17%). O mercado abriu em alta ontem, mas passou a cair minutos depois, com a divulgação do índice de sentimento do consumidor. O rebaixamento da recomendação da Merrill Lynch sobre a rede de lojas de móveis Home Depot e o alerta de queda nos lucros da rede de joalherias Zale contribuíram para a deterioração d o sentimento do mercado. Observadores notaram que isso parece indicar que os investidores estão querendo distância do mercado de ações. ?O que o mercado está dizendo é: fique bem na defensiva?, afirmou o analista Gary Kaltbaum, da Inverstors Edge Partners.? A lista de empresas atingidas pelos escândalos de irregularidades c ontábeis cresceu ontem com a Duke Energy, que anunciou ter sido intimada a fornecer às autoridades documentos sobre suas atividades (ler ao lado). As ações da empresa caíram 11,5%.

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