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Casais que compartilham decisões financeiras são mais felizes

Lembrem-se de estabelecer um valor que cada um no casal pode gastar da forma que quiser

Fabio Gallo*, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2022 | 04h00

Afalta de dinheiro é um dos maiores motivos de separação de casais. Não é novidade. Principalmente entre casais mais jovens. Desencontros sobre questões financeiras são motivo de muitas brigas dentro do casamento. Discussões motivadas por atitudes opostas em relação ao dinheiro, prioridades financeiras incompatíveis, dívidas, compras por impulso, estresse de combinar contas bancárias, infidelidade financeira, parceiro ser gastador compulsivo etc. 

Pesquisas sobre o comportamento financeiro de casais são frequentes e de maneira geral indicam que os casais que compartilham decisões financeiras são mais felizes. Isso é natural quando se verifica que poucas pessoas preferem ser o único tomador de decisões quando se trata de dinheiro. Homens e mulheres tomam decisões financeiras de maneira distintas, os homens são mais agressivos nos investimentos, levando a um maior grau de risco nas finanças do casal. 

Pesquisa recentemente publicada pela Fidelity Investments mostra que a comunicação é crítica para o sucesso financeiro do casal. Entre os casais que se comunicam bem, 8 em 10 dizem que têm a expectativa de ter um estilo de vida confortável quando aposentados e 73% se dizem com muito boa ou excelente saúde financeira. Por outro lado, um dentre cinco casais identifica que o dinheiro é o maior desafio no relacionamento. 

No geral, 44% responderam que têm discussões sobre dinheiro ao menos ocasionalmente, sendo que os temas mais difíceis são suas carreiras e o planejamento de compras de propriedades e herança. A frustração com os hábitos financeiros do parceiro foi manifestada por 24%, principalmente em relação ao valor necessário para a aposentadoria e riscos nos investimentos.

A maior preocupação dos casais em relação à aposentadoria é com os gastos com planos de saúde. Outros dados mostram que 56% das mulheres contra 34% dos homens dizem que o parceiro é poupador. 

Outras pesquisas trazem que casais LGBT são mais propensos a seguir caminhos separados nos investimentos, para que cada um possa assumir o nível de risco que deseja com contas individuais. Em geral, esses casais relataram níveis mais altos de tolerância ao risco. Eles também relatam níveis mais altos de otimismo e confiança. 

Uma boa dica é deixar de lado o controle remoto da TV e buscar ficar mais íntimo de seu parceiro, conversando sobre dinheiro. Comece compartilhando os seus sonhos, criando objetivos comuns de forma aberta e sincera. Discutam como dividir as contas da casa, como aplicar o dinheiro. Mas se lembrem de estabelecer um valor que cada um pode gastar da forma que desejar sem a interferência do outro, assim preservando a sua liberdade individual. 

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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