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Casal Kirchner já foi ‘abutre’ nos anos 70 e 80

Néstor e Cristina enriqueceram como assessores jurídicos especializados em execução hipotecária

Ariel Palacios, correspondente, O Estado de S. Paulo

23 de julho de 2014 | 21h40

Há poucas semanas, em pleno conflito judiciário, a presidente Cristina Kirchner criticou os holdouts (fundos de investimentos que não participaram das renegociações de dívida) por tentarem conseguir elevados lucros com os títulos da dívida pública argentina que anos atrás haviam comprado a baixo preço, quando estavam desvalorizados pelo calote de 2001. “Eles querem lucro de 1.600%!”, exclamou a presidente na ocasião. Visivelmente irritada, criticou a ofensiva que os holdouts fazem nos tribunais em Nova York para conseguir o embargo de bens do Estado argentino nos EUA ou o pagamento da totalidade da dívida.

“Abutres” é a denominação que o governo da presidente Cristina aplica aos holdouts, aos quais acusa de conspirar contra a Argentina. 

No entanto, o modus operandi dos “abutres” é similar ao que o próprio casal Néstor e Cristina Kirchner aplicou na Patagônia durante a ditadura militar (1976-83), quando enriqueceu graças a execuções hipotecárias.

Recém-formados como advogados em La Plata, os Kirchners em 1976 instalaram-se em Rio Gallegos, capital da Província de Santa Cruz, como assessores jurídicos da agência financeira Finsud, que realizava cobranças extrajudiciárias. 

O jovem advogado, quando ficava sabendo que um proprietário deixava de pagar a parcela mensal de crédito, ia até sua casa e lhe explicava que tinha poucas opções. Uma delas era resignar-se a ter a casa leiloada e ficar sem nada. A outra, a de vendê-la ao próprio Kirchner por um preço significantemente inferior ao valor real.

Na época, o ministro José Alfredo Martinez de Hoz, que comandava a economia do regime militar, havia desregulado o mercado financeiro, permitindo a criação de centenas de agências financeiras em todo o país. Mas, em janeiro de 1980, Martinez de Hoz emitiu a circular número 1.050, que - suspendendo as taxas predeterminadas para os créditos - permitia a indexação das dívidas pela inflação, que era de 150% anual.

Dezenas de milhares de pessoas faliram imediatamente. O novo cenário favoreceu o casal Kirchner, que ampliou a compra de imóveis.

Segundo diversas investigações jornalísticas, em apenas cinco anos, entre 1977 e 1982, o jovem casal comprou 22 propriedades. “Compraram as casas daquelas pessoas que não podiam pagar”, explicou anos atrás o ex-deputado Javier Bielle, da União Cívica Radical de Santa Cruz.

“Para fazer política é primeiro necessário juntar dinheiro”, dizia o casal Kirchner nos anos 80 aos amigos em Santa Cruz.

Os Kirchners continuaram prosperando mesmo quando chegaram ao governo de Santa Cruz e à presidência da República. Seu patrimônio, entre 1995 e 2010, segundo dados de suas declarações juramentadas, aumentou em 4.567%.

Família. O escritor anarquista Osvaldo Bayer, em sua obra Os vingadores da Patagônia trágica, um clássico da história argentina, afirma que o avô de Kirchner, Karl Kirchner, era conhecido em Santa Cruz no início do século 20 por ser um agiota. 

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