Casas Bahia reagem e anunciam aquisição de rede no Nordeste

Com 17 lojas na Região Metropolitana de Salvador, Romelsa é a terceira maior rede varejista da Bahia

Andrea Vialli e Márcia de Chiara, O Estadao de S.Paulo

09 de junho de 2009 | 00h00

As Casas Bahia, maior rede de móveis e eletrodomésticos do País, já reagiram à investida agressiva do Pão de Açúcar no seu mercado. Ontem, a empresa anunciou a compra da rede Romelsa, com 17 lojas espalhadas pela Região Metropolitana de Salvador (BA), onde as Casas Bahia acabam de fincar bandeira, com quatro lojas em funcionamento. Com faturamento de R$ 70 milhões, a Romelsa é a terceira maior rede da Bahia."Como temos sobreposição de lojas com o Ponto Frio, não entramos no negócio para comprar a rede e, por isso, caminhamos para o Nordeste", afirmou o diretor administrativo e financeiro, Michael Klein. Ele disse que, por enquanto, desembolsou apenas R$ 3 milhões pela rede a título de sinal. O valor final do negócio será fechado posteriormente, quando tiver conhecimento exato da empresa.A decisão das Casas Bahia de comprar uma rede na Bahia apressa os planos da companhia de ter 30 lojas no Estado no prazo de um ano. Com as unidades em operação, Klein disse que está muito satisfeito com os resultados. "O Sul e o Sudeste estão estagnados. No Nordeste é que estão as maiores chances de crescimento. Todos os clientes que temos lá são novos e temos sido muito bem aceitos pelos consumidores."Das 40 lojas programadas pela rede para este ano, 30 serão no Nordeste. E as aquisições não devem parar por aí. Segundo Klein, já estão sendo costuradas outras negociações com redes da Bahia. A meta é ter 45 lojas espalhadas pelo Estado todo. Para as Lojas Cem, outra rede do setor de eletromóveis, a compra do Ponto Frio pelo Pão de Açúcar não muda o dia a dia da empresa, no curto prazo. "Tudo vai depender da estratégia do concorrente", afirmou o diretor de relações com o mercado, Valdemir Colleone.A compra do Ponto Frio pelo Pão de Açúcar foi vista como positiva pela indústria de eletrodomésticos e eletrônicos.Lourival Kiçula, presidente da Eletros, entidade que reúne os fabricantes de eletroeletrônicos, disse que a união dos grupos traz maior concentração do mercado, mas, segundo ele, isso não deve significar perdas nas negociações de preços. "Conceitualmente, quanto menos concorrentes no mercado, mais difíceis se tornam as negociações. Mas, nesse caso, a indústria está tranquila porque não se trata de aventureiro. Todos conhecem o Abilio Diniz."Armando Enes do Valle Júnior, diretor de relações institucionais da Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, vê uma estratégia clara do Pão de Açúcar de se fortalecer no ramo não alimentício. "Para nós deve se traduzir em maiores volumes de encomendas de eletrodomésticos", afirmou.Para Patricio Mendizabal, presidente da Mabe, dona das marcas de eletrodomésticos GE e Dako, nada vai mudar no relacionamento com a indústria. "O Grupo Pão de Açúcar já é um cliente de longa data."

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