Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Casas de câmbio já vendem dólar a R$ 3

No caso dos cartões pré-pagos, nos quais a incidência do IOF é de 6,38%, moeda americana chegou aos R$ 3,20 em São Paulo

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

10 Fevereiro 2015 | 21h30

Se o dólar comercial fechou esta terça-feira a R$ 2,8310, para o consumidor, em casas de câmbio, o dólar turismo já beirava ou mesmo ultrapassava a marca dos R$ 3. A alta da moeda americana já começa a preocupar quem planeja ou está com viagem marcada para o exterior.

Na Cotação Corretora, o dólar americano em espécie era vendido a R$ 3,04, já com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A moeda no cartão pré-pago, com taxa de IOF maior, era comercializada a R$ 3,19. Na Confidence Corretora, o dólar em espécie também era vendido a R$ 3,04, e o produto no cartão pré-pago, a R$ 3,20. Na Sol Corretora, o dólar em dinheiro saía um pouco abaixo da marca dos R$ 3, a R$ 2,96. Já no cartão pré-pago, a cotação era de R$ 3,15.

O preço salgado do dólar turismo já provoca preocupações nos viajantes. Para Alexandre Fialho, diretor da Cotação Corretora, por causa do cenário de incertezas e da volatilidade do câmbio, a melhor opção é comprar quantias aos poucos. “Os viajantes já estão programando sua saída com antecedência, então também precisam programar e parcelar a compra da moeda”, diz. “Comprando uma certa quantia por mês, ele terá uma média do preço - pode não ter o melhor, mas dificilmente terá o pior. É quase impossível acertar o menor preço. Se nem os especialistas sabem ao certo para onde vai o dólar, imagina o viajante”, diz. 

Em relação ao tipo de produto, ele recomenda que o viajante tenha sempre uma quantia no cartão pré-pago, mesmo com a incidência maior do IOF, pela comodidade e pela segurança. “Se houver qualquer imprevisto, ele pode fazer uma recarga a distância.” Em dezembro de 2013, o governo elevou de 0,38% para 6,38% o IOF para gastos no exterior com cartões de débito e pré-pagos, cheque de viagem e saques em moeda estrangeira.

Mauro Calil, especialista de investimentos do banco Ourinvest, acredita que o viajante deve juntar dinheiro e comprar a quantia que necessita o mais rápido possível, por causa da tendência de alta do dólar. “Ele deve chegar a R$ 3, o problema é quando. Acredito que no meio do ano, entre junho e agosto”, diz. 

Investimento. A alta do moeda também desperta o interesse de investidores que querem saber se vale a pena comprar dólar como aplicação financeira. Para quem não vai viajar, Calil não aconselha o investimento em câmbio, pelo alto risco da operação. “Dólar ou valoriza ou desvaloriza. Não rende juros, nem aluguel, nem dividendos”, afirma. “Para aplicação em poucas quantidades, é melhor optar pela renda fixa, com 5% de rendimento em 5 meses a risco zero, do que 8% ou 10% de ganho no mesmo período com um risco muito mais elevado.”

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