Casino diz que não abre mão do Pão de Açúcar

Presidente do grupo francês diz que não venderá participação na empresa brasileira para ninguém e que não pedirá a destituição de Abilio Diniz

Agências Internacionais, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2011 | 00h00

O presidente do grupo francês Casino, Jean Charles Naouri, reiterou ontem durante a divulgação dos resultados da empresa que tomará o controle do Grupo Pão de Açúcar em 2012, como prevê o acordo de acionistas. "Não venderemos nossa participação nem ao Walmart nem a nenhum outro. Esperamos 13 anos para adquirir o Pão de Açúcar e não será agora que vamos vendê-lo", disse o executivo.

Nas últimas semanas, Naouri opôs-se energicamente a um projeto de fusão do grupo brasileiro com o concorrente francês Carrefour. A transação, que envolveria recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi defendido pelo empresário e sócio de Naouri, Abilio Diniz, e duramente criticada pela opinião pública.

O fim do embate entre os dois sócios, no entanto, não fez o Casino recuar em relação aos pedidos de arbitragem contra Diniz na Câmara de Comércio Internacional. Naouri exige que o pacto de acionistas seja respeitado.

O acordo firmado em 2005 criou a empresa Wilkes, em que cada um dos dois sócios detém 50% de participação. Na estrutura organizacional do grupo, a Wilkes fica acima da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), que, por sua vez, controla todas as empresas do grupo Pão de Açúcar, incluindo as novas aquisições, como Ponto Frio e Casas Bahia. Em junho de 2012, Abilio Diniz terá de vender uma ação de controle para o Casino, que passaria a ter mais de 50% do capital da Wilkes, tornando-se controlador de todo o grupo.

"É preciso respeitar os acordos. Esperamos das outras partes envolvidas que respeitem os acordos", declarou Naouri. Ele também confirmou que a reunião do conselho de administração da Wilkes, prevista para o dia 2 de agosto, foi cancelada.

Questionado sobre o papel de Diniz nas atividades do Pão de Açúcar, Naouri negou-se a "emitir considerações pessoais" sobre o sócio. Em vez disso, preferiu enfatizar sua confiança na gestão do grupo, dizendo que suas relações com os executivos brasileiros são "excelentes". E disse não ter planos de pedir a saída de Diniz da presidência do conselho do Pão de Açúcar.

Resultado. O balanço semestral do Casino divulgado ontem demonstrou a importância dos mercados emergentes na operação da rede varejista. No primeiro semestre, o lucro consolidado da empresa cresceu 6%, para 571 milhões, abaixo da previsão de analistas de 580 milhões. Já o lucro em operações internacionais saltou 55%, respondendo pela primeira vez por mais da metade do ganho total do grupo. Segundo o relatório, o crescimento foi impulsionado por aquisições na Tailândia e no Brasil (no caso, a compra das Casas Bahia). No País, o Casino registrou um aumento de 61,5% em suas vendas totais no segundo trimestre.

No mercado doméstico, o grupo francês teve seu resultado ofuscado. Segunda maior varejista da França, a empresa registrou uma queda de 23% no lucro líquido durante o primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, após uma redução de preços para atrair clientes. "Os resultados mistos do Casino confirmam o quanto o mercado francês permanece difícil", afirmaram analistas do banco Espírito Santo em nota. "O desenvolvimento dos negócios internacionais permanece animador, mas com incertezas quanto à situação no Brasil."

As vendas do Casino avançaram 19%, para 6,1 bilhões. A empresa elevou a previsão de ganhos com a venda de ativos para 1 bilhão, contra 700 milhões anteriormente. O grupo encerrou junho com endividamento de 6,8 bilhões. O Casino tem 10 mil lojas em 10 países, com maior presença em países emergentes do que muitos de seus rivais.

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