Casino põe brasileiro no comando local

Objetivo da rede francesa, sócia majoritária no Pão de Açúcar, é dar cor local à operação brasileira e melhorar relações com o governo

Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2013 | 02h06

O grupo francês Casino, controlador do Pão de Açúcar, anunciou ontem a contratação de um executivo para assumir suas operações no Brasil. O escolhido foi o psicólogo Ronaldo Iabrudi, de 58 anos, que já foi presidente do conselho de empresas como Lupatech, Contax e Telemar e presidente executivo da Magnesita, Telemar (hoje Oi) e Ferrovia Centro Atlântica.

Ele chega para ajudar o grupo francês no relacionamento com o governo, com os órgãos reguladores e com a comunidade empresarial brasileira, e trabalhará no escritório do Casino no bairro Jardins, em São Paulo. A indicação de um representante no Brasil ocorre 14 anos após o grupo francês entrar no mercado brasileiro. Em 1999, a empresa se associou ao empresário Abilio Diniz. No ano passado, o grupo assumiu o controle da operação, em transição marcada por trocas de acusações entre Abilio e o presidente do Casino, Jean-Charles Naouri.

O conflito societário do Pão de Açúcar se estende à arbitragem da Câmara de Comercio Internacional, em Paris. O executivo Arnaud Strasser, diretor internacional do Grupo Casino, tem dito a pessoas próximas que Iabrudi não foi contratado para representar o Casino na briga entre os sócios, mas para a empresa passar a ter um "rosto" brasileiro.

Até então, o francês Strausser representava os interesses do Casino no Brasil. Os franceses queriam, no entanto, um executivo brasileiro para comandar a operação e reforçar que o grupo Pão de Açúcar continua sendo uma "empresa brasileira". Hoje, as operações no País representam mais da metade dos negócios do Casino fora da França.

"A chegada de Iabrudi reflete nosso compromisso de reforçar nossa presença como maior varejista local e nossa vontade de fortalecer nossos laços com todos os nossos stakeholders (parceiros) no Brasil", disse Naouri, em comunicado.

Relacionamentos. Iabrudi não tem experiência em grandes redes varejistas, mas já atuou em empresas durante períodos críticos, como conflitos societários e grandes reestruturações. Ele também traz uma experiência em negociações com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - Lupatech e Magnesita, por exemplo, receberam aportes do banco durante sua gestão.

O conflito entre Abilio e Nouri começou em 2011, quando Abilio negociou a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour no Brasil - um negócio que recebeu, inicialmente, apoio do BNDES. O banco estatal, no entanto, retirou seu apoio ao negócio depois que as desavenças entre os sócios vieram à tona.

Iabrudi também terá a missão de "fortalecer o relacionamento e o intercâmbio (de experiências)" com os executivos do grupo Pão de Açúcar, disse o Casino, em comunicado.

A mudança no comando da operação do Casino no País vem em um momento conturbado dentro do Grupo Pão de Açúcar. Há duas semanas, a Viavarejo - braço que administra as lojas de eletrodomésticos Casas Bahia e Pão de Açúcar - perdeu dois altos executivos em dois dias. Antonio Ramatis, que exercia a presidência da Viavarejo, citou a dificuldade em equalizar as expectativas dos sócios (Casino, Abilio Diniz e família Klein) em relação à operação como uma das razões para sua saída.

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