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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Caso Cemar expõe risco de fundo DI e renda fixa

Há duas semanas, a agência Standard & Poor´s (S&P) rebaixou a classificação de risco das debêntures da Companhia Energética do Maranhão (Cemar) quanto à capacidade da empresa maranhense de honrar obrigações financeiras. O fato provocou perdas no valor das cotas de alguns fundos DI e de renda fixa que tinham estes papéis em carteira. Isso porque há maior probabilidade de que não tenham o resgate honrado no vencimento. A perda de patrimônio reflete a posição conservadora dos gestores dos fundos, que, após a reavaliação da S&P, consideraram nulo o valor das debêntures de emissão da Cemar. "Consideramos que o valor a ser acertado em junho não será cumprido", diz Sérgio Tuffy Sayeg, diretor comercial da Dresdner Asset Management. "Fechamos a captação e aconselhamos os cotistas a não deixar os fundos, para evitar transferência de valores se o pagamento for feito." O fato traz à lembrança pontos que devem ser sempre considerados pelos aplicadores de fundos de renda fixa prefixada ou referenciados DI, diz Fabio Colombo, diretor-presidente da Money Maker Investment Advisory. Um deles é o risco de crédito: possibilidade de o emissor dos títulos não pagar o resgate no vencimento. Outros pontos são a existência de diferentes graus de risco nos fundos e o aceno de um retorno mais elevado embutir risco maior de perda. Estes riscos exigem que o investidor esteja muito atento ao fundo escolhido e ao gestor que vai cuidar da carteira. De acordo com as regras dos fundos de renda fixa prefixada e referenciados DI, 80% da carteira deve estar alocada em títulos públicos federais. Os 20% restantes podem ser destinados a papéis de empresas com baixo risco de crédito. O fato é que cada gestor tem a sua própria avaliação em relação aos títulos privados. Um papel com baixo risco para um gestor pode ter risco elevado para outro. Não há um padrão comum estabelecido para a avaliação dos títulos.Atento a este problema, Colombo sugere ao cotista que leia atentamente os prospectos dos fundos e acompanhe a composição da carteira. "É preciso muita atenção, pois a ganância do gestor em elevar o ganho do fundo pode expor seus cotistas a perdas, como a causada pela Cemar."

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