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Caso Cisco: PF pede busca nos EUA

Dois executivos ligados à Mude, que importava produtos da Cisco no Brasil, estão sendo procurados pela Interpol

Marcelo Godoy, Marcelo Auler, Renato Cruz e Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2007 | 00h00

A Polícia Federal procura nos Estados Unidos dois executivos brasileiros que tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça durante a Operação Persona. Os dois são suspeitos de envolvimento no esquema de fraudes e sonegação fiscal que deu um prejuízo de R$ 1,5 bilhão ao governo brasileiro. Eles seriam ligados à empresa Mude Comércio e Serviços Ltda. que, segundo os investigadores, funcionava como um verdadeiro setor de importações da Cisco Systems no Brasil.Os dois tiveram seus nomes informados à Interpol. Além deles, a PF busca o fiscal aposentado da Receita Ernani Bertino Maciel. Controlador do Grupo K/E, ele estaria em Paris. Os advogados de Maciel informaram que ele se apresentará às autoridades esta semana. Uma quarto homem está foragido. Nos EUA, a PF e o Ministério Público Federal (MPF) apuram ainda quatro pessoas sob a suspeita de participação nas fraudes.A primeira é Gabriel Simões de Godoy, sócio das exportadoras GSD e da Freight Logistics, com sede em Miami. O segundo é José Ricardo Gantus, apontado como o responsável pelas exportadoras do Grupo South (Miami) - dona da South America Overseas Corp, uma das empresas suspeitas. As outras duas são ligadas à Mude. Trata-se de Adriana Ponte, gerente da Mude USA, e de Luiz Scarpelli Filho, diretor da Mude USA e da exportadora Logcis Export LLC, ambas de Miami.Ao todo, PF e MPF investigam 12 empresas sediadas nos EUA. Três são do grupo Mude e seis são exportadoras, como a 3Tech International, a GSD e a Logcis. Há ainda uma empresa de logística (South) e uma patrimonial, a Step Ahead. Por fim, a apuração mostra a Cisco Systems Inc., a matriz americana da multinacional, como a ''''beneficiária'''' do esquema.Por enquanto, seis pessoas permanecem presas no Brasil. O MPF e a PM haviam requerido a prisão 62 pessoas, entre elas algumas que vivem no exterior. Mas a Justiça Federal concedeu a prisão de 41 por cinco dias, todas residentes no Brasil, e renovou por cinco dias as prisões de apenas seis pessoas.Entre os soltos está o presidente da Cisco no Brasil, Pedro Ripper. Ele voltou ao trabalho ontem na sede da empresa, em São Paulo. Ripper havia sido preso na terça-feira passada, no Rio, e foi liberado poucos antes da meia-noite de sábado.A Cisco informou que seus escritórios de São Paulo foram liberados pela PF na sexta-feira. A Cisco incentiva o trabalho à distância e seus funcionários acessam os sistemas da empresa por meio de conexão de internet, o que permitiu que a empresa continuasse funcionando.CIPRIANIO ex-presidente da Transbrasil, Antonio Celso Cipriani, e seu irmão, Emídio Cipriani, também estão sendo investigados na Operação Persona, revelam fontes em Brasília. Emídio é dono da Waytec, empresa de informática com sede em Ilhéus acusada de envolvimento no esquema de sonegação. A assessoria da Waytec nega que Celso tenha qualquer relação com a empresa. Cinco funcionários da Waytec já tiveram a prisão decretada.

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