Caso de Dubai mostra que crise não passou, diz BB

O pedido de paralisação por seis meses no pagamento da dívida do conglomerado Dubai World, maior empresa estatal de Dubai, mostra que a crise global não passou e entra agora em uma nova etapa. Para o economista-chefe do Banco do Brasil, Uilson Melo Araújo, a segunda fase da crise global deve mostrar economias desenvolvidas em recessão e países emergentes com desaceleração do crescimento este ano. "Creio que o caso de Dubai nos mostra claramente que ainda há incertezas", disse.

ALESSANDRA SARAIVA, Agencia Estado

29 de novembro de 2009 | 18h08

Araújo foi um dos palestrantes do 1º Congresso do Instituto Nacional de Investidores (INI), realizado este fim de semana, no Rio. Como os demais economistas que participaram do evento, ele ressaltou que o Brasil aparenta ter boas condições para passar por este novo momento e que as perspectivas são boas no longo prazo.

Araújo estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do País pode crescer apenas 0,20% este ano. Mas, para os anos seguintes, as estimativas são bem melhores. "Creio que a economia brasileira pode crescer a uma taxa de 5% ao ano a partir de 2010, até 2013", afirmou, acrescentando que entre 2013 e 2014, o bom cenário econômico e as melhores perspectivas para financiamentos, como um mercado de trabalho sólido, farão com que o crédito no Brasil atinja 60% do PIB brasileiro, sendo que hoje ele representa 45%.

O diretor de Relações com Investidores da Vale, Roberto Castelo Branco, minimizou o impacto do cenário de Dubai na economia do País. "Creio que esse episódio de Dubai tem alcance limitado, com respeito à exposição de bancos", comentou, acrescentando que os dois bancos que foram mais prejudicados pela situação não são brasileiros.

Por sua vez, o analista da Vince Partners (formada por ex-sócios do banco Pactual) Pedro Batista, comentou que esteve em Dubai em 2007 e, na ocasião, pode perceber que o país tem pouco conhecimento sobre negócios no Brasil. "A exposição direta, ativa, na participação de investimentos na economia brasileira e em Bolsa é muito pequena. A tendência é ser pouco relevante", disse.

O alcance do que ocorreu em Dubai para outros mercados também foi questionado pelo diretor executivo de Desenvolvimento de Negócios da Bolsa de Valores Mercadorias e Futuros (BVMF) Paulo de Sousa Oliveira Júnior. "A primeira coisa que temos que perguntar é: (a suspensão do pagamento) tem efeito sistêmico? Eu acho que não", disse, acrescentando que o ocorrido pode até oferecer oportunidades de negócios para o mercado brasileiro. Para Oliveira Júnior, devido ao que ocorreu em Dubai investidores mais focados em realizar negócios no Oriente Médio e na Ásia podem desviar seu foco para investir em países sul-americanos, notadamente no Brasil. "A qualidade de risco no Brasil é muito melhor", concluiu.

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