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Caso impeachment se confirme, mercado financeiro espera avanço na reforma fiscal

Economista-chefe do Goldman Sachs avalia que a chance de afastamento definitivo de Dilma já está nas contas dos analistas, que agora vão focar na capacidade de Temer acelerar e aprofundar os ajustes

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2016 | 12h45

O afastamento definitivo de Dilma Rousseff, no julgamento que começa nesta quinta-feira no Senado, já deve estar "totalmente ou quase que totalmente" embutido nos preços dos ativos brasileiros, avalia o economista-chefe do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos, em um e-mail nesta quinta-feira. O principal índice da bolsa brasileira, por exemplo, acumula valorização de mais de 30% neste ano, refletindo o otimismo do mercado financeiro com uma possível mudança de rumo no comando político.

Com os preços praticamente já refletindo a saída da petista, Ramos afirma que o mercado agora vai se focar na "disposição e na capacidade" do governo de Temer de "acelerar e aprofundar" o ajuste fiscal. Por isso, as articulações do peemedebista no Congresso para aprovar as medidas devem ganhar especial atenção de investidores e analistas. "O fracasso para dar passos tangíveis em direção à consolidação fiscal pode desencadear uma dinâmica adversa do mercado", afirma Ramos.

Para o economista do Goldman, o mercado deve reagir positivamente em três situações. A primeira é que o governo de Temer não ceda a pressões de grupos específicos para aumento de gastos e outras concessões que possam comprometer as contas fiscais. O segundo fator seria uma rápida aprovação no Congresso da proposta de emenda constitucional que fixa um teto para o aumento das despesas públicas, sem muitas mudanças no texto proposto pela equipe econômica.

Uma agenda forte de reforma da previdência, com possibilidade de ser aprovada na primeira metade de 2017, é outro fator que pode desencadear reação positiva dos mercados, ressalta o economista do Goldman.

Ramos acredita que o "fim da saga do impeachment" de Dilma deve estimular o presidente em exercício Michel Temer, que passa a ser o presidente efetivo, a acelerar o ajuste fiscal e propor medidas mais profundas. Contudo, o grau de apoio do peemedebista no Congresso para a aprovação de propostas mais sensíveis e impopulares ainda não está claro, avalia o economista. "Não ficaríamos surpresos de ver o conteúdo e a estrutura de algumas medidas fiscais enfraquecidos no Congresso."

Moody's. A agência de classificação de risco Moody's avalia que a conclusão do processo de impeachment irá remover um elemento de incerteza política e permitirá à gestão Temer focar nas reformas fiscais.

"No entanto, aprovar reformas fiscais estruturais no Congresso será difícil, especialmente as propostas de teto de despesas e de reforma da previdência", diz Samar Maziad, analista sênior da Moody's para ratings soberanos. "Em nossa opinião, as duas reformas são necessárias para reverter a deterioração das contas fiscais do Brasil", acrescentou, destacando que embora a atual administração tenha melhores chances junto ao Congresso que a anterior, ainda não há um suporte claro às medidas. 

(Com Francine De Lorenzo) 

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