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Caso Madoff tem indenização de US$ 7,2 bi

Acordo é a maior devolução judicial dos EUA e deve atender ao pleito de 157,7 mil investidores

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2010 | 00h00

Dois anos depois da revelação da pirâmide financeira montada pelo investidor americano Bernard Madoff, procuradores de Justiça dos Estados Unidos conseguiram ontem recuperar US$ 7,2 bilhões para compensar vítimas desse esquema fraudulento. A operação foi conduzida pelo auditor encarregado de resgatar os recursos investidos, o advogado Irving Picard, e envolveu a negociação de mais de um ano com os herdeiros de Jeffry M. Picower, empresário americano do setor de equipamentos médicos e filantropo morto em 2009.

Pelo montante envolvido, o acordo foi qualificado como a maior devolução judicial da história americana e deve atender ao pleito de 157,7 mil investidores. Até o momento, US$ 2,3 bilhões haviam sido recuperados. Mas outros processos na Justiça e negociações para a devolução de recursos seguem em andamento. A perda total para os apostadores no esquema de Madoff é estimada em US$ 65 bilhões.

Esquema deplorável. Nas semanas anteriores a 11 de dezembro, prazo máximo para a apresentação de novos pedidos à Justiça americana, Picard deu entrada em 60 ações contra bancos, fundos de hedge e executivos para o ressarcimento de recursos às vítimas de Madoff. O processo contra o Bank Medici AG e seu fundador, Sonja Kohn, o Bank Austria, o UniCredit e outros 12 envolvidos soma US$ 19,6 bilhões. Porém, conforme os termos da Lei de Fraude Influenciada e Organizações Corruptas, pode alcançar US$ 58,8 bilhões. Segundo Picard, o esquema de Madoff era "deplorável".

Madoff está preso desde março de 2009, quando confessou ter montado e operado o esquema ilegal. O multibilionário foi posteriormente condenado a 150 anos de prisão. Na semana passada, seu filho Mark, de 46 anos, foi encontrado morto em seu apartamento em Manhattan. Mark e seu irmão Andrew trabalhavam em um setor da empresa do pai não envolvido na pirâmide. Ambos foram investigados, mas não processados.

"Inocência". A recuperação dos US$ 7,2 bilhões deveu-se ao acordo extraído da viúva de Picower, Barbara. Segundo Picard, ela mostrou-se confiante da inocência de seu marido. Jeffrey Picower, um dos maiores clientes da pirâmide de Madoff, depositou US$ 619,4 milhões no esquema no início da década de 70 e teria retirado US$ 7,8 bilhões depois da denúncia, conforme documentos reunidos no processo.

"Vamos devolver cada centavo recebido de quase 35 anos de investimentos com Bernard Madoff", afirmou Barbara, por meio de nota. "Eu acredito que esse acordo honra o que Jeffry queria: o retorno do dinheiro para as vítimas de Madoff", agregou ela, para mencionar em seguida o seu plano de retomar a filantropia.

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