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Casp apresenta a credores plano de recuperação judicial

Entre as propostas antecipadas a esta coluna estão a venda dos imóveis que hoje abrigam as fábricas em Amparo (SP), avaliados em R$ 100 milhões, o alongamento de dívidas e a obtenção de crédito

Coluna do Broad Agro, O Estado de S. Paulo

22 de abril de 2019 | 05h00

A Casp, empresa paulista que já foi líder isolada em equipamentos para avicultura, apresenta nesta semana seu plano de recuperação judicial. Entre as propostas antecipadas a esta coluna estão a venda dos imóveis que hoje abrigam as fábricas em Amparo (SP), avaliados em R$ 100 milhões, o alongamento de dívidas e a obtenção de crédito. A empresa pretende sanar débitos de R$ 53 milhões. Do total, R$ 8 milhões são com o Banco do Brasil, que aceitou alongar o pagamento de um para cinco anos, e o restante com outras instituições financeiras (70%) e fornecedores e ex-funcionários (30%). Luís de Alberto de Paiva, presidente da Corporate Consulting, que assessora a empresa, conta que novos financiadores têm viabilizado a entrega de equipamentos de armazenagem e para o setor de proteína animal. “A companhia tem faturamento mensal de R$ 20 milhões e deve atingir R$ 200 milhões neste ano com facilidade.” Em 2018, foram R$ 134,6 milhões e em 2017, R$ 179,3 milhões. 

Segue o jogo. A Casp pretende continuar produzindo na unidade maior de Amparo (SP), pagando aluguel pelo imóvel, e voltar a crescer no segmento de proteína animal, hoje 30% da receita. O restante vem de armazenagem. As exportações, que antes da recuperação judicial, solicitada em fevereiro, traziam 60% do faturamento e agora equivalem a 20%, também estão sendo retomadas. 

Tempestade perfeita. Os resultados da Casp começaram a despencar em 2016. A crise econômica após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o reajuste do aço não repassado à ponta final e a redução de investimentos por importantes clientes, como a JBS, atingida pela Operação Lava Jato, foram fatais. Além disso, com o gradual aumento das taxas de juros do PCA, programa que financia armazéns, as vendas de silos da empresa também caíram. “Na crise, os bancos se fecham”, diz Paiva.

Realista. Outra empresa em recuperação judicial, a Fertilizantes Heringer também tem chances de se reerguer, na avaliação de Marcos Haaland, diretor da Alvarez & Marsal. O escritório de advocacia atua em reestruturação de empresas, mas não está no caso da Heringer. Ele, porém, acompanha a situação da empresa e diz que o plano apresentado há pouco mais de uma semana é “pé no chão”. Haaland argumenta que o plano propõe o pagamento da dívida, de R$ 2,045 bilhões, de forma compatível com as receitas estimadas. A Heringer prevê receita bruta de R$ 979,7 milhões em 2020 e avanço gradual até R$ 2,05 bilhões em 15 anos. 

De olho. Em dois anos, contudo, já será possível dizer se a Heringer “entrou nos eixos ou não”, diz Haaland. Nesse período a empresa deve aprovar o plano de recuperação, reconquistar a confiança de credores, clientes e financiadores, e se desfazer de sete unidades produtivas, no valor total de R$ 315 milhões. O mercado tem avaliado que os ativos despertarão interesse. “Se algumas medidas saírem, como a aprovação de reformas (pelo governo), destravarão investimentos, nestes ativos inclusive.”

Balcão. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) criou um grupo de trabalho para cuidar das demandas do agronegócio, acertado na reunião entre o chanceler Ernesto Araújo e o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB-RS). O setor produtivo considera o grupo, com coordenação do diretor do Departamento de Promoção do Agronegócio do MRE, Alexandre Peña Ghisleni, o primeiro espaço aberto pelo agronegócio dentro do Itamaraty.

Torcida. Organizadores da Agrishow estão animados com a possível presença do presidente Jair Bolsonaro na abertura da feira, dia 29 deste mês, em Ribeirão Preto (SP). Como nesses casos o cerimonial fica com o Palácio do Planalto, o evento seria mais curto do que o de anos anteriores, marcados por dezenas de pronunciamentos e horas de duração. 

Mais comida. A produção de ração para bovinos deve alcançar 8,9 milhões de toneladas este ano no Brasil, alta de 3,4% ante 2018, estima o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações). O resultado é puxado pela pecuária leiteira, cuja fabricação de ração tende a alcançar 6,2 milhões de toneladas, avanço de 4% no mesmo comparativo. 

Fabricação própria. A demanda por ração para bovinos tem sido limitada pela produção dentro das fazendas. “Com isso, pecuaristas necessitam apenas dos aditivos. O consumo de sal mineral, por exemplo, tem espaço para dobrar no longo prazo”, diz Ariovaldo Zani, vice-presidente do Sindirações. Em 2019, a produção do insumo deve crescer 3% para 3,15 milhões de t. 

Aposta. Sem revelar valores, a alemã Boehringer Ingelheim Saúde Animal quer aumentar a participação nas vendas de produtos para sanidade do rebanho de bovinos de leite no Brasil. “Trabalhamos com cenário de recuperação da demanda ao mesmo tempo em que há projeção de custos produtivos menores em função da grande safra de grãos”, diz a companhia.

Menos. Levantamento da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) aponta que um número 12,9% menor de trabalhadores foi contratado para a colheita na safra 2018/2019, já encerrada. Cerca de 20 mil trabalhadores colheram uma safra menor no parque citrícola entre São Paulo e Minas Gerais.  

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