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Castelar: 'Ajuste de expectativas com Bolsonaro se deu no PIB'

Para o coordenador da Economia Aplicada da Fundação Getúlio Vargas, daqui para frente, as incertezas residem em para onde vão as projeções de crescimento econômico

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2019 | 10h32

RIO – O principal movimento de “ajuste de expectativas” em relação ao que o governo Jair Bolsonaro (PSL) poderia entregar se deu nas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), afirmou o coordenador da Economia Aplicada da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Armando Castelar, nesta sexta-feira, 12.

O pesquisador destacou que, a mediana das projeções saiu de 2,5% na virada do ano para 2,0% após as trocas de farpas públicas entre Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“Quando começa um governo, temos uma ideia parca do que vai acontecer. Os 100 primeiros dias servem para afinar as expectativas”, afirmou Castelar, em palestra no seminário “100 dias do Governo Bolsonaro”, promovido pelo Estadão e pelo Ibre/FGV, no Rio de Janeiro, para analisar os 100 primeiros dias do governo do presidente Bolsonaro.

Segundo Castelar, o apoio do empresariado e da imprensa à reforma da Previdência, a falta de apoio do próprio governo as mudanças previdenciárias (com exceção do Ministério da Economia), a rápida queda na popularidade e o abandono explícito do “presidencialismo de coalizão” foram os movimentos que mais surpreenderam nos 100 primeiros dias do governo Bolsonaro.

Para Castelar, daqui para frente, as incertezas residem em para onde vão as projeções de crescimento econômico. O pesquisador apostou num nível de 1,5% de alta do PIB, especialmente porque não está claro qual impulso uma reforma da Previdência poderá dar na atividade econômica. Ainda mais por que não está claro qual será o impacto fiscal final da reforma após a aprovação no Congresso Nacional nem quando a proposta passará.

“Talvez fosse melhor apostar na reforma (do governo Michel) Temer, que já estava na Câmara”, disse Castelar, lembrando que Bolsonaro optou por uma proposta mais ampla e ambiciosa, mas também mais arriscada. “A grande pergunta é se vamos conseguir algo melhor do que a reforma Temer”, completou o pesquisador. 

Estadão e FGV

Analisar os 100 primeiros dias do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). É esta a proposta do evento que acontece nesta sexta-feira, 12, no Rio de Janeiro. O debate contará com pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), convidados e jornalistas do Estado. Confira a programação completa.

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