Catalunha é a 3ª região espanhola a pedir ajuda

Tamanho da ajuda não foi revelado, mas porta-voz insiste que não se trata de um 'resgate'; já recorreram ao governo central, Valência e Múrcia

MADRI , O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h05

A região espanhola da Catalunha, responsável por um quinto da produção econômica do país, confirmou ontem que deve pedir ajuda ao fundo criado pela administração central.

O porta-voz do governo catalão, Francesc Homs, disse que a região pretende recorrer "a todo tipo de linhas de financiamento". "É o que nós estamos fazendo e é nossa obrigação", comentou ele, segundo o jornal El País.

A declaração parece encerrar uma confusão causada mais cedo. A imprensa espanhola já tinha divulgado que a Catalunha pediria ajuda, mas a informação foi negada por um outro porta-voz do governo, que atribuiu a notícia a uma má interpretação de uma entrevista concedida pelo chefe de Finanças da região, Andreu Mas-Colell.

A Catalunha, a região mais endividada da Espanha, tem pagamentos de dívida de 3,4 bilhões no segundo semestre, incluindo 2,76 bilhões em títulos vencendo no fim de novembro.

Homs não revelou, contudo, o tamanho dá ajuda que será solicitada e insistiu que o pedido de auxílio ao Fundo de Liquidez Autônomo não é "um resgate". Segundo ele, a região não terá de adotar novas medidas para conter o déficit orçamentário para poder acessar essa linha. "Alguns dias atrás, aprovamos um plano de ajuste e há muitos meses que nossas contas estão sendo acompanhadas pelo governo central. Não há nenhuma nova condição."

O porta-voz tentou evitar a palavra resgate, usando sinônimos, mas acabou confirmando que a Catalunha vai mesmo pedir ajuda ao governo central. "Estamos recorrendo às linhas de crédito que a administração central oferece. Considerar esse tipo de acesso às linhas de liquidez como um resgate é um erro, porque a ideia de resgate tem uma conotação catastrofista."

Pedidos em cascata. Na sexta-feira, Valência tornou-se a primeira das 17 regiões autônomas da Espanha a pedir ajuda. O montante foi de 3,5 bilhões, proveniente de um fundo do governo de 18 bilhões, criado para ajudar a cobrir custos da dívida que estão vencendo este ano. Já no domingo, o presidente (equivalente a governador) da Múrcia, Ramón Luis Valcárcel, disse em entrevista ao jornal La Opinión que pedirá de 200 milhões a 300 milhões em ajuda.

Na imprensa espanhola, circulam previsões de que 6 das 17 regiões administrativas autônomas pedirão ajuda financeira ao governo central do país. Pior ainda, segundo o jornal espanhol El Economista, o governo da Espanha estaria considerando a possibilidade de pedir um pacote de resgate total, que permitiria ao país honrar sua dívida e evitar um colapso financeiro "iminente", caso o Banco Central Europeu não retome a compra de títulos espanhóis para ajudar a reduzir os custos de financiamento.

Na semana passada, a Espanha obteve a aprovação da União Europeia para um plano de ajuda de até 100 bilhões para os bancos espanhóis.

"Os analistas são unânimes: se a pressão sobre os títulos espanhóis continuar e o Tesouro perder acesso ao mercado, a Espanha não será capaz de lidar com o grande volume de dívidas que vence em outubro, algo em torno de 28 bilhões", disse a reportagem do El Economista.

O ministro de Finanças da Espanha, Luis de Guindos, se reuniu ontem com o colega alemão, Wolfgang Schaueble, em Berlim, e os dois concordam que os juros cobradas da Espanha "não se ajustam à situação econômica do país". Os dois exigiram avanço no projeto de uma união bancária por causa da difícil situação da Espanha e das advertências da Moody's sobre a Alemanha./ AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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