Catalunha pede resgate de ¤ 5 bi e aumenta temor sobre crise da dívida da Espanha

Mergulhada numa crise que não dá sinais de ceder, a Espanha vê sua região mais rica - a Catalunha - se declarar insolvente e pedir um resgate de emergência para honrar suas dívidas, constata uma fuga recorde de dinheiro dos bancos e descobre que a recessão é mais profunda e mais longa do que haviam calculado.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h09

A avalanche de notícias ruins chegou no momento em que começava uma ofensiva diplomática do primeiro-ministro, Mariano Rajoy, para convencer seus parceiros europeus a implementar o pacote de resgate bancário ao país o mais rápido possível. Mas os novos dados apenas ampliam as dificuldades para que o governo cumpra as metas de equilíbrios em suas contas, fortaleça os bancos e reduza a dívida, e aumentam a pressão para que o governo peça um segundo pacote de ajuda da União Europeia.

Ontem, o governo da Catalunha pediu 5 bilhões a Madri para "enfrentar os vencimentos de dívidas até o fim do ano". No total, a região, que é a mais próspera do país e tem um dos índices de desemprego mais baixos, também acumula uma dívida de 42 bilhões. Hoje, não teria recursos próprios para bancar o funcionamento do Estado até 2013.

Governos regionais têm fechado autarquias, demitido funcionários e ainda assim acumulam dívidas que segundo analistas não conseguirão ser pagas. A decisão dos catalães escancara o drama que não se limita ao governo central. A Catalunha admite que aceitará as condições econômicas para receber o dinheiro, mas rejeitará exigências políticas. Rajoy, porém, vai usar a fragilidade financeira das regiões para negociar um acordo: em troca de dinheiro, o governo central exige apoio em suas reformas.

Recessão. Mas, se a crise da divida preocupa, o remédio aplicado - a austeridade - está provocando um impacto mais profundo do que se previa. Novos cálculos mostram que a segunda recessão na Espanha em três anos começou no terceiro trimestre de 2011, e não no fim de 2011, como havia sido declarado. Pior: é bem mais profunda do que se pensava. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em meados de 2012 a contração já era de 1,3% ante igual período de 2011.

Diante de uma queda de 3,3% no consumo doméstico, o segundo trimestre de 2012 já sofreu retração de 0,4%. O desemprego em 24%, a redução de salários e a alta de impostos vêm cobrando seu preço. Para completar, o governo deixou de investir em obras públicas. O choque na economia só não foi maior porque as exportações cresceram 3,9%.

No total, já seriam quatro trimestres de queda do PIB e, em todos eles, o recálculo mostra que a queda é mais profunda do que havia sido estimado. Para o secretário de Estado da Economia, Fernando Jiménez Latorre, não há sinal de que a Espanha volte a crescer antes de 2013. Para 2012, a estimativa é de um recuo de 1,5% na economia.

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