Wilton Junior/Estadão
Juracy Mendes, operador de campo, na cidade de Catu (BA) Wilton Junior/Estadão

Catu, na Bahia, sonha com volta da ‘época de ouro’

Município na Bacia do Recôncavo aposta em investimentos de pequenas petroleiras para reativar economia

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2019 | 13h00

CATU E POJUCA (BA) - Na cidade baiana de Catu, o pré-sal foi sinônimo de decadência. À medida que a Petrobrás se dedicava cada vez mais aos megacampos no mar, foi deixando para trás os poços terrestres. Na Bacia do Recôncavo, na Bahia, onde está o município de Catu, a produção da estatal caiu de 62,5 mil para 36,4 mil barris diários em uma década, um tombo de 42%.

“Antes, tínhamos aproximadamente 30% da receita proveniente do setor de petróleo. Hoje, estamos em 11%”, diz o prefeito da cidade, Geranilson Dantas Requião (PT). “Se continuar nesse ritmo, vamos ter muita dificuldade na manutenção do município.”

A esperança de Catu, e de toda a região, está nas pequenas petroleiras, que começam a chegar para assumir áreas abandonadas pela Petrobrás. As empresas independentes, cuja presença era praticamente nula em 2010, hoje produzem juntas 4,8 mil barris diários. O poço dessa bacia com melhor desempenho hoje pertence à Maha Energy, com 1,9 mil barris/dia.

Nas ruas de Catu, os moradores se mostram nostálgicos dos tempos de pleno emprego e dinheiro circulando com fartura. E dizem estar cientes de que a “época de ouro” não volta mais. Ao mesmo tempo, mantêm o otimismo de que o pior momento passou e novas vagas de emprego começam a ser criadas com a chegada das pequenas petroleiras. 

 

Às 5 horas, os pontos de ônibus já estão cheios de trabalhadores paramentados, funcionários de empresas fornecedoras de produtos e serviços exploratórios para projetos preservados pela Petrobrás e companhias que ensaiam a reativação de poços no entorno do município.

Não é, claro, como foi no início da década. “Em 2010, começou a exploração aqui, então chegou muita empresa. Era bastante mesmo. Hoje, a gente consegue contar quantas ficaram”, diz Sinésio Oliveira, gerente da loja Construmir, que já foi especializada em equipamento de segurança industrial e atualmente se limita a vender material para a construção de residências.

Chance. Para quem ficou sem emprego por mais de um ano e não tinha perspectiva, a chegada de novos investidores é percebida como a última chance de acertar a vida profissional e o orçamento da família. “O que eu senti mais foi quando eu fui demitido, porque senti que era um inútil. Vi tudo meu indo por água abaixo”, conta Juracy Mendes, hoje operador da Energizzi, dona de um poço no município de Pojuca (BA), vizinho a Catu. “Agora, a minha vida, a minha família está sendo sustentada por essa área.”

Com a responsabilidade de manter o primeiro poço da Energizzi ativo, Mendes trabalha por uma semana e na seguinte é substituído por Luiz Sena. O turno de trabalho começa às 6h e termina às 18h. “Operador é mais ou menos assim: é você ser fazendeiro e me dar o seu gado para cuidar. Aquele poço ali é o animal de estimação do dono dessa empresa. É fazer tudo que for possível e também o impossível para que esse poço venha a produzir o esperado de óleo para ele”, define Mendes.

Para o parceiro de equipe Sena, que já esteve embarcado em plataforma no Rio, o cargo é também motivo de prestígio na comunidade onde vive. “A inspiração de todos que moram na zona rural é chegar a trabalhar com petróleo”, afirma.

A Petrobrás, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que, para definir os ativos que coloca à venda, avalia a “sinergia existente entre os ativos”. Com isso, tem buscado vender pacotes de áreas, em linha com o modelo de negócio determinado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

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