Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Eleições e guerra comercial fazem dólar subir mais de 2% e chegar aos R$ 4,15

Levantamento divulgado nesta segunda-feira mostrou que Alckmin, candidato que mais agrada ao mercado, continua estagnado; Ibovespa cai 0,43%, em dia de poucas negociações por conta de feriado nos EUA

Reuters

03 Setembro 2018 | 11h21
Atualizado 04 Setembro 2018 | 12h08

A cautela devido ao cenário eleitoral doméstico e às preocupações com a guerra comercial entre Estados Unidos e seus parceiros ainda predomina entre os investidores. O dólar inaugurou setembro com alta demais de 2% e foi a R$ 4,15. Em agosto, a moeda americana fechou com a maior alta mensal desde setembro de 2015

“O cenário ainda é incerto, tanto com a guerra comercial quanto com o desfecho das eleições. E ainda há menor liquidez com o feriado dos EUA”, afirmou um profissional da mesa de câmbio de uma corretora local, referindo-se ao Dia do Trabalho norte-americano que mantém os mercados locais fechados.

Apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter barrado a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência nesta segunda-feira, líder em todas as pesquisas de intenção de voto, ele apareceu nas campanhas de rádio e televisão. Para o mercado, isso pode aumentar a transferência de votos dele para outro candidato.

Na manhã desta segunda-feira, o TSE mandou suspender a veiculação de propaganda eleitoral que apresente Lula como candidato a presidente e determinou multa de R$ 500 mil para cada propaganda veiculada no rádio em caso de descumprimento.

“A maior cautela do mercado hoje é uma grande transferência de votos de Lula para seu (ao que tudo indica) sucessor, Fernando Haddad”, trouxe a H.Commcor Corretora em relatório.

O mercado enxerga que o PT teria menos cuidado com a questão fiscal do país, sem fazer as reformas que considera importante para o ajuste das contas públicas.

Os investidores aguardavam novas pesquisas de intenção de votos: Ibope, na terça-feira, e Datafolha na quinta-feira.

 

Levantamento divulgado nesta segunda-feira, do Banco BTG, mostrou que Jair Bolsonaro (PSL) seguia na liderança, mas em segundo lugar apareceu Ciro Gomes (PDT), que ultrapassou Marina Silva (Rede). Geraldo Alckmin (PSDB), candidato que mais agrada ao mercado, continuava patinando.

No exterior, os investidores monitoravam ainda a guerra comercial entre Estados Unidos e seus parceiros comerciais. No fim de semana, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que o Canadá não era necessário no acordo do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Há temores de que a economia mundial seja afetada por essa disputa. A China, que corre o risco de ter novas tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos pelos Estados Unidos, divulgou que seu crescimento industrial desacelerou para a mínima em 14 meses em agosto, justamente por causa da guerra comercial com os Estados Unidos.

O dólar avançava com força ante outras divisas de países emergentes, com destaque para a lira turca, depois que a inflação no país saltou para quase 18%. O dólar também subia ante uma cesta de moedas fortes.

O Banco Central brasileiro realiza nesta sessão leilão de até 10,9 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares para rolagem do vencimento de outubro, no total de US$ 9,801 bilhões.

Mercado de ações em baixa

A Bolsa teve poucas negociações em sessão marcada por feriado nos Estados Unidos e fechou em queda no primeiro pregão de setembro, mês que deve ser marcado por volatilidade em razão da disputa presidencial ainda sem sinais claros sobre o seu desfecho no começo de outubro.

O principal índice de ações da B3 cedeu 0,63%, a 76.192,73 pontos. O giro financeiro da sessão somou apenas R$ 4,6 bilhões, ante média diária de R$ 11,4 bilhões em 2018, diante da ausência de negócios em Wall Street em razão do feriado nos EUA.

Estrategistas de ações esperam volatilidade para as próximas semanas dado o cenário eleitoral no país ainda sem visibilidade quanto a seu desfecho. A equipe da corretora Safra avalia que o cenário volátil que marcou agosto deve permanecer ao longo de setembro e possivelmente após o primeiro turno.

Segundo a equipe da consultoria Lopes Filho, as atenções dos investidores nesta semana estarão voltadas para as primeiras pesquisas de intenção de voto após o início da propaganda gratuita em rádio e televisão e rejeição da candidatura presidencial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mais conteúdo sobre:
dólar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.