Cautela com situação fiscal dos EUA faz dólar avançar 0,39%

Cenário:

NALU FERNANDES , O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h10

A cautela que predominava no exterior na manhã de ontem, em meio às preocupações com o abismo fiscal norte-americano, foi ampliada durante a tarde, após declarações do presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner. Segundo ele, o presidente Barack Obama não está levando a sério os cortes de gastos no governo. O comentário, interpretado pelos investidores como mais um sinal de que o acordo entre os congressistas para evitar o abismo fiscal está longe de ocorrer, intensificou as perdas das bolsas de Nova York. O movimento foi influenciado ainda pela decisão da agência Standard & Poor's de rebaixar a perspectiva para o rating AAA do Reino Unido, de "estável" para "negativa".

Neste contexto, o dólar manteve-se no terreno positivo ante o real na segunda metade do dia, para fechar a quinta-feira em alta de 0,39% no balcão, cotado a R$ 2,0820. Os receios com o abismo fiscal e o anúncio da Standard & Poor's deram fôlego à moeda americana em relação a outras divisas, entre elas o real. O dólar também subiu influenciado pelo fluxo negativo de recursos no Brasil, em função de remessas feitas por empresas ao exterior.

A Bovespa, que sustentava ganhos até o início da tarde, em razão de alguns números positivos do mercado de trabalho dos EUA, voltou a seguir, durante a tarde, o exterior, mesmo que em menor intensidade, terminando a segunda sessão seguida em baixa, desta vez de 0,26%, aos 59.316,75 pontos. Os investidores embolsaram parte dos ganhos acumulados este mês, sendo que os papéis da Petrobrás contribuíram para o fechamento negativo. A ação ON recuou 1,45%, enquanto a PN caiu 1,41%.

Na última hora da sessão em Nova York, os principais índices de ações desaceleraram as quedas, com a informação de que Obama e Boehner iriam se reunir na noite de ontem para discutir o abismo fiscal. O índice Dow Jones recuou 0,56%, o Nasdaq teve queda de 0,72% e o S&P-500 caiu 0,63%.

Na renda fixa, os dados positivos do varejo em outubro, divulgados na manhã de ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), deram impulso apenas momentâneo às taxas dos contratos futuros de juros, que fecharam o dia em baixa. A queda foi resultado da piora externa e de ajustes técnicos feitos após os juros terem registrado ganhos de sexta-feira passada a terça-feira desta semana. A taxa do contrato com vencimento em janeiro de 2015 ficou em 7,59%, ante 7,60% da quarta-feira. Já a taxa do contrato para janeiro de 2017 fechou a 8,43%, ante 8,48% da véspera.

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