Jose Manuel Ribeiro/Reuters
Jose Manuel Ribeiro/Reuters

Aversão ao risco reduz prazo médio das debêntures ao menor patamar desde 2009

Cautela dos investidores fez com que empresas passassem a emitir títulos de renda fixa com prazos menores e rentabilidade maior

Cynthia Decloedt, O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2015 | 17h56

SÃO PAULO - A cautela e aversão ao risco que marcam o mercado de capitais doméstico causaram piora na característica das debêntures (títulos de renda fixa emitidos por companhias) no que diz respeito a prazos e indexadores. O prazo médio de vencimento das debêntures encolheu ao menor patamar desde 2009, ficando em apenas 3,6 anos em julho de 2015, segundo o boletim de mercado de capitais da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima), 

Em 2012, quando o mercado de debêntures estava bastante aquecido influenciado pelo ciclo de corte da taxa Selic, o prazo médio de vencimento das debêntures atingiu o nível mais elevado desde 2009, de 6,1 anos. Em 2014, o prazo médio das debêntures estava em 5,4 anos.

O porcentual de debêntures remuneradas pelo índice de preços também caiu drasticamente este ano, para 5,5%, contra uma participação de 17,1% das operações em 2012. Com a taxa Selic tendo saído de 12,5% em julho de 2011 para 7,25% em outubro de 2012, a demanda pelas debêntures remuneradas pelo IPCA foi puxada naquele ano pelos fundos de pensão, assets e seguradoras, para compensar as perdas registradas em suas carteiras com as aplicações em títulos públicos.

A consequência da elevada procura dos títulos privados em 2012 foi a queda para abaixo de 6% pela primeira vez na história do juro pago pelas debêntures em IPCA, forçando fundos de pensão a reverem suas metas atuariais. Os prêmios igualmente foram comprimidos. No começo de 2012, os menores spreads estavam em torno de 1%, chegando a abaixo de 0,70% no segundo semestre e casos pontuais de até 0,50%. Os prêmios para as séries em IPCA alcançaram níveis de 4,8%.

Em 2015, as debêntures remuneradas em CDI têm sido colocadas com prêmios acima de 1% e que superam os 2%; nas séries remuneradas a partir do IPCA, as colocações mostram prêmios superiores a 150 pontos-base. A EDP Energias do Brasil, por exemplo, protocolou na semana passada uma emissão de R$ 750 milhões de debêntures de quatro séries, sendo duas remuneradas ao CDI com prêmio teto de 1,90% e 2,10% para vencimentos de três e cinco anos, respectivamente. As terceira e quarta séries são incentivadas e remuneradas a partir do IPCA, oferecendo prêmio de 1,50% para a série de seis anos e de 1,75% para a série de nove anos.

A crise macroeconômica e política reduziu a pressão da busca dos fundos de pensão por títulos privados e levou as assets a manter um volume maior de grande recursos em caixa. O mercado só tem comprado papéis de excelente crédito e, com a forte competição dos papéis incentivados como letras de crédito do agronegócio e imobiliários, as debêntures de infraestrutura são as com maior chance de emplacar no segundo semestre.

Favorecida por esse cenário de foco nos melhores créditos, a Vale irá colocar R$ 1 bilhão em debêntures de infraestrutura sem prêmio, pagando somente a remuneração da NTN-B. Por outro lado, são vários os casos de emissões que ficaram "encalhadas" e os bancos estruturadores tiveram de encarteirar. O mais recente é da emissão de R$ 100 milhões da Unidas, que, segundo fontes, não encontrou demanda suficiente entre investidores.

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