Cautela no exterior antes de agenda relevante nos EUA

Investidores se preparam para relevante agenda econômica nos EUA

Daniela Milanese, Agência Estado

31 de julho de 2008 | 08h00

A cautela predomina nos mercados internacionais nesta quinta-feira, enquanto os investidores se preparam para a relevante agenda econômica dos Estados Unidos nos próximos dias. As principais bolsas da Europa operam de lado, enquanto o petróleo tem leve queda. Em um balanço de forças, o dólar ganha terreno sobre o iene, mas perde para o euro.   Até amanhã, será possível atualizar as avaliações sobre a situação da maior economia do mundo, a partir da divulgação de dados importantes. Hoje, o destaque fica com o PIB preliminar do segundo trimestre, às 9h30 (de Brasília). A previsão é de alta de 2,3% sobre o trimestre anterior. Analistas apontam que o pacote fiscal de US$ 100 bilhões dado pelo governo dos EUA será o responsável pela recuperação, já que nos primeiros três meses do ano o PIB só avançou 1%.   O economista Rob Carnell, do ING, espera alta de 3%, superior ao consenso, e diz que um aumento de 4% não é impossível. Mas que ninguém se engane: o banco holandês não abandonou o seu enorme pessimismo sobre a crise. Carnell acredita que o efeito do estímulo fiscal não vai durar muito. "Tudo que é preciso para reverter o recente otimismo do mercado é uma queda do payroll amanhã maior do que o esperado."   O calendário de hoje traz ainda o número de pedidos de auxílio-desemprego feitos na semana passada (às 9h30) e o índice de atividade industrial regional dos gerentes de compras de Chicago (10h45), considerado um parâmetro para o indicador nacional, o ISM, outro dado importante da agenda de amanhã.   É um caldeirão de informações para ajudar a moldar a trajetória do dólar. Apesar da recente valorização, ainda não existe consenso sobre a continuidade do movimento de alta e há opiniões para todos os lados. "O dólar resiste! Será que a esperada recuperação finalmente começou?", escrevem os especialistas do Standard and Chartered. Para eles, há notícias positivas a partir da ação do governo dos EUA, como a restrição da venda de ações a descoberto imposta pela SEC e a ajuda às agências hipotecárias - ontem o Fed ainda estendeu as linhas de crédito para primary dealers.   No entanto, para o banco inglês, ainda há informações negativas a emergirem da crise e a perspectiva de crescimento dos EUA devem permanecer fraca. "Ganhos sustentáveis para o dólar são improváveis em 2008."   Clyde Wardle, do HSBC, diz que, se os dados de emprego e do mercado imobiliário se estabilizarem, pode crescer a expectativa para um processo de alta de juros pelo Fed, o que seria um catalisador para o dólar. "Mas isso é mais uma esperança distante do que uma expectativa para a maioria dos analistas." O Merrill Lynch vai pelo caminho do meio e aposta em "fortalecimento moderado", com valorização de 1,6% até o final do ano. Para o RBS, a resiliência recente da moeda pode refletir a avaliação de que os EUA já estão enfrentando um período de fraqueza, enquanto na Europa a situação está só começando. "Se essa visão estiver correta, o dólar pode ganhar terreno sobre o euro."   Não será hoje que a moeda norte-americana responderá essas questões. Por volta das 7 horas, o dólar subia 0,20%, a 108,23 ienes, mas o euro também avançava, com ganho de 0,19%, para US$ 1,5618. O petróleo, que voltou a surpreender com a valorização de ontem, mostrava queda de 0,43% no pregão eletrônico da Nymex, para US$ 126,22.   No mesmo horário, as principais bolsas da Europa esboçavam reação, depois de já terem passado levemente pelo campo negativo. Londres (+0,01%) e Frankfurt (+0,03%) pisavam no azul, enquanto Paris perdia 0,08%.

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