Cautela por compulsório faz Bovespa descolar de NY e cair

Em meio à expectativa de elevação do compulsório dos bancos no Brasil e à decepção com os resultados da BM&FBovespa, a bolsa paulista descolou do otimismo internacional e caiu pelo quarto dia consecutivo nesta quarta-feira.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

24 de fevereiro de 2010 | 19h05

O Ibovespa recuou 0,47 por cento, para 65.794 pontos. O giro financeiro, prejudicado pela interrupção do pregão por uma hora devido a problemas técnicos, resumiu-se a 5,1 bilhões de reais.

"Tinha tudo para a Bovespa subir hoje, mas começou a pegar uma história de aumento do compulsório no final da tarde", disse Newton Rosa, economista-chefe da SulAmerica Investimentos.

Temendo que as mudanças diminuíssem o volume de recursos disponíveis no sistema, investidores venderam ações de bancos. Itaú Unibanco caiu 1,1 por cento, para 35,61 reais.

Fechado o pregão, o Banco Central confirmou os rumores. Dentre as medidas principais, a autoridade monetária decidiu restabelecer alíquotas de recolhimento dos compulsórios, que haviam sido flexibilizadas durante a crise para dar maior folga aos bancos.

Curiosamente, no entanto, a maior responsável pela baixa do Ibovespa foi a própria BM&FBovespa, com um tombo de 5,3 por cento, valendo 11,69 reais.

Em dia de inferno astral, a companhia viu uma reação bastante negativa de analistas ao aumento das despesas que apareceu nos seus resultados do quarto trimestre, divulgados na terça-feira à noite. A Itaú Corretora reduziu a recomendação dos papéis da empresa, de "acima da média" para "média do mercado".

Com isso, a influência positiva de Wall Street, otimista com as declarações do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, comprometendo-se a manter os juros dos Estados Unidos em níveis baixos por um longo tempo, ficou em segundo plano. Os mercados de commodities também tiveram um dia de valorização.

Na ponta de ganhos, a melhor do Ibovespa foi Tim Participações, cuja ação preferencial subiu 5,75 por cento, cotada a 5,15 reais. A operadora de telefonia celular anunciou na véspera que teve lucro líquido de 330,05 milhões de reais no quarto trimestre, recuo de 14 por cento na comparação anual.

No entanto, analistas preferiram olhar para a melhora das margens de lucro obtida pela companhia no período. "Apesar da evolução ainda lenta das receitas e da perda de market share de acessos, a recuperação das margens foi, sem dúvida, o ponto alto do resultado da TIM", disse a Ativa Corretora, em relatório.

O papel preferencial da Vale também aliviou a pressão sobre o Ibovespa, subindo 1 por cento, para 44,23 reais. Em relatório, o HSBC elevou a projeção de preço-alvo das ações da mineradora, por considerar que a mineradora será favorecida pela recente alta do dólar frente ao real.

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