Leah Millis/Reuters
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Cautela prevalece no mercado antes das decisões sobre juros no Brasil e nos EUA

No exterior, há também expectativa em torno da retomada das conversas entre autoridades americanas e chinesas sobre a guerra de tarifas entre os países

Silvana Rocha, Luciana Xavier e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2019 | 08h32

O mercado financeiro se mantém cauteloso enquanto aguarda o desfecho das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) que começam nesta terça-feira, 30, e podem resultar em cortes de juros na quarta. No exterior pesa também a expectativa em relação à retomada das negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China

Reformas da Previdência e tributária voltam ao radar

No Brasil, a reunião do Conselho de Governo, no Palácio do Planalto, deve ser monitorada no começo da tarde. Com o fim do recesso no Congresso, oficialmente nesta quinta-feira, o foco se desloca para o segundo turno da reforma da Previdência, na Câmara - a Casa deve retomar as discussões no dia 6. 

O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já disse que sua ideia é votar a proposta na próxima semana e enviar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ao Senado até a sexta-feira, 9 de agosto. 

Com esse encaminhamento, o próximo grande item na agenda legislativa do governo federal será a reforma tributária. O Estadão/Broadcast apurou que a equipe econômica deve encaminhar nos próximos dias parte de suas propostas para apreciação do Congresso. Devem ser apresentados três projetos, com alterações constitucionais e em legislação ordinária. Um deles trata da unificação dos tributos IPI, PIS e Cofins em um único imposto federal. É possível que também sejam incluídos IOF e CSLL nesta proposta, que deve ser encaminhada por meio de projeto de lei ordinária. 

O governo também pretende reduzir significativamente ou eliminar a tributação sobre a folha de pagamentos. Para isso, provavelmente proporá a criação de uma contribuição incidente sobre transações com alíquota de 0,60% - similar à extinta CPMF. Neste caso, será necessária uma PEC. 

Bancos privados aceleram crescimento

Os grandes bancos privados brasileiros conseguiram acelerar o crescimento de seus resultados no segundo trimestre, a despeito de a economia local rodar abaixo das expectativas no período. Tal desempenho foi possível mesmo em um ambiente mais competitivo, que puxa para baixo a receita em algumas linhas como na adquirência e cartões, e ainda uma menor expansão das carteiras de crédito.

Juntos, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil entregaram lucro líquido de R$ 17,131 bilhões no segundo trimestre, aumento de 17,6% em relação ao mesmo período do ano passado, de R$ 14,568 bilhões. A taxa de crescimento superou a vista no trimestre anterior, quando o resultado consolidado dos três bancos privados de capital aberto mostrou expansão de 15,43%.

Instituições lançam programa de demissão voluntária

Nesta segunda, o Itaú Unibanco lançou um programa de desligamento voluntário para todas as empresas controladas exclusivamente pelo Itaú Unibanco Holding no Brasil. Os elegíveis poderão aderir ao PDV no período de 1 a 31 de agosto. Nesta segunda, o Banco do Brasil também anunciou uma reorganização de quadros, com o objetivo de cortar os excessos de pessoal existentes em suas unidades.

Para atender a demanda com os saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), a Caixa avisou seus funcionários que vai adiar parte dos desligamentos previstos no programa de demissão voluntária, segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast. O programa de demissão, aberto no fim de maio, havia conseguido a adesão de 3,5 mil funcionários. A Caixa pediu para adiar a saída de cerca de 2 mil, todos eles são atendentes em agências. 

Balanços

Nos Estados Unidos, Apple e da Mastercard divulgam o balanço do segundo trimestre. Por aqui, é esperada a divulgação dos resultados da CSN, após o fechamento dos mercados, e da Embraer, que vai apresentar seus dados operacionais.

Sob impacto da guerra comercial

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, e o representante comercial do país, Robert Lighthizer, já chegaram à China para discutir a guerra de tarifas entre os países. No entanto, declarações recentes ambíguas das duas partes na tratativa comercial deixam dúvidas sobre quão próximos Washington e Pequim estão de chegar a algum tipo de entendimento em meio à atual trégua tarifária. 

A retomada das negociações contribuiu para o fechamento em alta das Bolsas da Ásia nesta terça, além da perspectiva de corte de juros nos EUA. 

Esses dois fatores também mexem com o preço do petróleo. Os contratos futuros voltaram a subir, após terem fechado em alta nesta segunda. Os investidores estão à espera da divulgação do relatório de estoques de petróleo nos Estados Unidos na semana até o dia 26. Nesta manhã, o petróleo WTI para entrega em setembro negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) estava em alta de 0,93%, a US$ 57,40 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês negociado na Intercontinental Exchange (ICE) avançava 1,05% para US$ 64,38 o barril.

Brexit afeta cotação da libra

A libra renovou nova mínima histórica contra o dólar na manhã desta terça, cotada a US$ 1,2119, em meio aos riscos políticos crescentes no Reino Unido, que apontam a possibilidade cada vez maior de um Brexit sem acordo. Para analistas do ING, além disso, a moeda britânica deve ver ainda mais fraqueza em breve.A desvalorização da libra em julho já se aproxima de 5%.

Nesta segunda, o dólar avançou ante outras das principais moedas, além da libra.  O índice DXY, que calcula a força da moeda americana ante uma cesta de outras seis divisas fortes, fechou em alta de 0,03%, aos 98,044 pontos.

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