Cauteloso, americano compra lembrancinhas

Há apenas alguns dias antecedendo o Natal, o comércio varejista norte-americano sente a ausência dos clientes, assustados com o cenário econômico do país. O desemprego, a crise dos setores imobiliário, financeiro e mais recente, o automobilístico, assombram a população. A temporada de compras aberta no final de Novembro, com o feriado de Ação de Graças, continua fraca. E as perspectivas, segundo uma pesquisa do instituto Gallup, são de baixa entre 23% e 29% nas vendas, comparadas ao ano anterior. Trinta e cinco por cento dos americanos vão gastar menos este ano e apenas 9% pretendem gastar mais que em 2007.Para agravar a situação, economistas e líderes políticos advertem que a situação do país deve piorar nos próximos meses. O reflexo, segundo a mesma pesquisa, aponta que 40% dos americanos estão reticentes e preocupados com as finanças pessoais. Cerca de 80% dos entrevistados avaliam negativamente a economia do país, que alcançou uma taxa de desemprego de 6,7% mês passado.Os comerciantes estão desesperados por clientes e já anteciparam as liquidações de início do ano, com descontos de até 75%. Mesmo assim, as lojas continuam vazias. Em anos anteriores, a esta altura era praticamente impossível comprar uma lembrancinha natalina sem perder algumas horas em filas.Para a empresária Jennifer Collin, 32 anos, de Staten Island, Nova York, a situação econômica do país parece muito ruim. "As lojas estão muito vazias, os preços estão excelentes, mas vou gastar muito menos que no ano passado." Com uma lista em torno de 20 pessoas para presentear, Jennifer conta que vai despender não mais que US$ 50 por lembrança. "A ordem agora é poupar, porque não sabemos o que vem pela frente."Já o cabeleireiro Carlos César Lemes, 40 anos, natural do Paraná, há quase cinco anos residente em Newark, Nova Jersey, gostaria de agradecer a pessoa que inventou o Amigo Secreto. "Com essa brincadeira, você consegue dar uma boa eliminada nos gastos com presentes. Tenho duas pessoas para presentear, mas minha despesa não deve passar de US$ 400". Carlos conta que sentiu uma queda de quase 30% no volume de trabalho em relação ao ano anterior.

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