Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Cauteloso, comércio adia compras do segundo trimestre

Indústria e comércio estão muito mais cautelosos para o segundo trimestre. Diante do fraco crescimento das vendas nos três primeiros meses do ano, boa parte das lojas resolveu atrasar as encomendas para o Dia das Mães, considerada a segunda melhor data para o varejo depois do Natal. Há grandes companhias que decidiram até cortar a programação inicial de compras em até 10%. Nas indústrias, o atraso nos pedidos soa como um sinal de alerta. Ao contrário do ocorrido na virada do primeiro trimestre de 2003, quando os fabricantes reforçaram a produção e ampliaram estoques na expectativa de uma retomada do consumo que não aconteceu, agora as indústrias estão extremamente prudentes. "Elas vão esperar primeiro a retomada do consumo interno virar realidade, para só depois partir para o aumento da produção", diz Cláudio Vaz, diretor de Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). 65% com estoques normaisLevantamento feito pela entidade na última semana de março, com cerca de 800 indústrias, revela que nada menos do que 65% dos entrevistados estão com estoques considerados normais. Outros 21% declararam que os seus estoques estão acima do desejado, enquanto 14% disseram que trabalham sob encomenda. "Com juros tão elevados, ninguém quer se arriscar a perder dinheiro com estoques altos", frisa Vaz. A situação de atraso nas encomendas é mais crítica no setor de eletrodomésticos da linha branca, que inclui produtos como geladeiras, fogões e lavadoras. A Latina, um dos principais fabricantes de lavadoras semi-automáticas (tanquinhos), enfrentou atraso significativo nos pedidos do varejo em março. Até o dia 25, a empresa tinha vendido cerca de 60% do previsto para o mês. A meta foi alcançada, porém, a duras penas. "Nesta altura, quando já deveríamos estar negociando as vendas para o Dia das Mães, temos de ir às lojas oferecer produtos", diz o vice-presidente da empresa, Paulo Coli. Além da demora nos pedidos, o varejo quer mais prazo para pagar a indústria, o que dificulta ainda mais o planejamento do trimestre. Lojas deixam pedidos para última horaNa BSH Continental, que produz fogões e geladeiras, a situação não é diferente. "As lojas deixam para colocar os pedidos na última hora", reclama o diretor Comercial da empresa, Luiz Carlos Piton. Mas ele admite que a situação está melhor do que em 2003. "Em abril do ano passado, o mercado estava um desastre. Este ano, pelo menos os lojistas falam que precisam comprar porque eles reduziram muito o estoque." Até os varejistas mais otimistas se renderam aos efeitos da queda na renda e do aumento do desemprego. A Lojas Cem faturou no primeiro trimestre 10% a mais do que em igual período de 2003, especialmente com a venda de televisores, DVDs e aparelhos de som. A previsão era atingir 20%, já descontados o movimento das novas lojas e a inflação do período. "Esperamos ao menos manter a taxa de crescimento de 10% no segundo trimestre", pondera o supervisor-geral da rede, Valdemir Colleone. Neste ano, o Magazine Luiza antecipou as promoções de vendas para o Dia das Mães. Desde o mês passado, a cada R$ 50 em compras, o cliente recebe um cupom que lhe dá direito a concorrer a um caminhão lotado de mercadorias, num valor total de R$ 200 mil, incluindo o veículo. No ano passado, a promoção ficou restrita ao mês de maio. "Não dá para ficar preso apenas ao movimento dos juros", diz Frederico Trajano Rodrigues, diretor de Vendas e Marketing da rede. Maior atacadista do País, com faturamento de R$ 2,030 bilhões em 2003, o Martins terá de suar a camisa para atingir a meta de crescer 15% neste ano. "O mercado não vai aumentar tanto. Os negócios vão ter de acontecer com a nossa força de trabalho", afirma o presidente, Alair Martins. No primeiro trimestre, a empresa repetiu o desempenho alcançado em igual período do ano passado. A expectativa do grupo é de que os negócios deslanchem só a no segundo semestre. Namorados - O ano começou mais fraco do que o esperado também no setor têxtil. No primeiro trimestre, o faturamento da Paramount Lansul no mercado doméstico ficou 10% abaixo do previsto. O presidente, Fuad Mattar, observa que as vendas no varejo foram melhores. O problema, segundo ele, é que os lojistas estão receosos e têm comprado só o indispensável . "A reposição dos estoques no varejo deve ocorrer neste e no próximo mês", prevê Mattar. Mesmo assim, ele acha que as vendas para o Dia das Mães na melhor das hipóteses devem repetir o resultado do ano passado. A reação ainda não pegou ritmoNo setor de calçados, a reação nas vendas ainda não deslanchou no ritmo esperado. A Democrata, um dos maiores fabricantes de sapatos masculinos, vendeu 265 mil pares nos últimos quatro meses, incluindo os pedidos para entrega em abril. Segundo o diretor Comercial, Marcelo Paludetto, o desempenho ficou 7% abaixo da meta traçada, praticamente repetindo o obtido no mesmo período de 2003. "Não esperávamos que o mercado esfriasse neste início de ano." Ele diz que o varejo não está "empolgado" nas encomendas e deixa para fazer os pedidos no último momento. A expectativa da empresa é de que as vendas cresçam no mercado doméstico especialmente a partir de junho, por ocasião do Dia dos Namorados. Para isso, o executivo adianta que a empresa será mais agressiva em marketing. Sem revelar números no mercado brasileiro, a Avon, fabricante de cosméticos, comemora crescimento de dois dígitos nas vendas no primeiro trimestre. Eduardo Bruder, vice-presidente de Comunicação para América Latina e Brasil, destaca que parte do desempenho se deve ao lançamento de produtos mais baratos e adequados ao bolso dos brasileiros. Base fraca Em setores cujas vendas dependem essencialmente do crédito e que têm forte apelo de consumo, como automóveis e aparelhos de áudio e vídeo, os negócios reagiram neste início de ano. Tanto é que eles destoam das demais, onde a cautela ainda predomina. Na Semp Toshiba, líder em televisores, as vendas chegaram a crescer 40% no primeiro bimestre, em relação aos mesmos meses de 2003, mas o período é considerado uma base fraca de comparação. A empresa está otimista para as vendas do Dia das Mães, cujos pedidos começaram a ser feitos pelo varejo. Beneficiados pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros, os fabricantes de autopeças também não têm do que reclamar. A TRW, por exemplo, está otimista com o segundo trimestre. "Mantido o ritmo atual, serão produzidos entre 1,8 milhão e 2 milhões de veículos este ano. "É mais do que o esperado", observa o presidente, Marcos Zion de Almeida.

Agencia Estado,

05 de abril de 2004 | 07h18

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.