Cavalo manga-larga marchador é brasileiro, decreta Dilma

Lei sancionada pela presidente homenageia criadores da raça de cavalos mais desenvolvida do País; Eles agora querem isenção de ICMS no transporte, como acontece com os bovinos

Laura de Paula, especial para O Estado de S. Paulo,

21 de maio de 2014 | 09h32

SÃO PAULO - A presidente Dilma Rousseff sancionou uma lei que decreta o cavalo manga-larga marchador como raça nacional.

O deputado federal Arthur Maia, do partido Solidariedade (SDD-BA), autor do projeto e criador da raça, justifica a lei dizendo que era preciso reconhecer um cavalo como símbolo do País.

Na prática, nada muda: "É apenas um título que se dá ao manga-larga marchador", afirma Maia.

A lei é uma forma de homenagear os criadores de manga-larga marchador, raça de equinos considerada a mais evoluída do País. "Serve para despertar o sentimento de orgulho."

Brasil, Estados Unidos e seis países europeus reúnem mais de 30 mil criadores da raça. Na Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Manga-Larga Marchador (ABCCMM) há 520 mil animais registrados, 9 mil associados no País e 400 estrangeiros.

"Hoje nós temos o melhor cavalo de sela do mundo e ser reconhecido como raça nacional é uma grande conquista", afirma Magdi Shaat, presidente da associação.

O próximo passo, adiantou Shaat, é conseguir isenção tributária do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no transporte de cavalos, a exemplo do que ocorre com os bovinos.

O deputado Maia acrescenta que seria um avanço classificar o cavalo como animal de trabalho, em vez de pet, o que reduziria os impostos dos produtos veterinários de uso equino.

A raça surgiu há mais de 200 anos do cruzamento da linhagem portuguesa Alter com cavalos da atual região de São João del-Rei, ao sul de Minas Gerais.

 

Sua principal característica é a marcha acelerada, que transporta o cavaleiro de forma cômoda sem transmitir os impactos do trote.

Ao caminhar, o manga-larga mantém pelo menos uma das quatro patas no chão, diferente da maioria dos cavalos que, ao trotar, ficam suspensos no ar por um instante.

O temperamento dócil do cavalo permite que ele seja montado por pessoas de qualquer idade. "É um cavalo para passeio, é o cavalo da família", diz Shaat.

Rústico e resistente, o manga-larga marchador se adapta com facilidade a qualquer ambiente e percorre longas distâncias.

De acordo com a ABCCMM, o patrimônio da raça no Brasil chega a R$ 5 bilhões. Em 2013, a associação autorizou 192 leilões, que negociaram 4.706 mangas-largas e arrecadaram R$ 104 milhões.

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e a Alimentação (FAO), calcula mais de 50 milhões de cavalos no mundo. Destes, 6 milhões estão no Brasil, que ocupa o quarto lugar entre os países.

O mercado brasileiro de cavalos movimenta em torno de R$ 8,5 bilhões por ano, segundo dados do Centro de Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (USP), e emprega 3,2 milhões de trabalhadores diretos e indiretos.

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