Raul Spinas Sé/Agência A Tarde
Raul Spinas Sé/Agência A Tarde

Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Caxirola de Carlinhos Brown vira arma na mão de torcedores e causa polêmica

Instrumentos produzidos pela The Marketing Store com plástico da Braskem foram atirados nos jogadores

Tiago Décimo, correspondente,

29 de abril de 2013 | 09h06

SALVADOR - A caxirola, chocalho patenteado pelo cantor Carlinhos Brown para ser a sucessora da vuvuzela na Copa de 2014, estreou mal no dia do seu lançamento oficial, neste domingo, 28, no Estádio da Fonte Nova.

O instrumento produzido pela multinacional americana  The Marketing Store com  plástico verde de cana-de-açúcar da Braskem virou arma nas mãos dos torcedores do Bahia contra o mau desempenho dos jogadores do time.

Revoltados com o segundo Gol do Vitória, que venceu por 2 a 1, os torcedores Baianos arremessaram em campo centenas de caxirolas. Os próprios jogadores ajudaram a limpar o gramado para retomar a partida.

Na entrada do estádio da Fonte Nova, inaugurado oficialmente  junto com a caxirola, 50 mil chocalhos foram distribuídos gratuitamente nas cores verde a amarela. Na Copa eles serão vendidos a R$ 29,90.

 

A notícia do uso da caxirola como arma chegou ao ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, que estava no 12º Fórum de Comandatuba, um dos principais encontros empresariais do País, no resort Transamérica Ilha de Comandatuba.

Ao ser informado sobre o ocorrido com o instrumento, que recebeu as chancelas do ministério e da Fifa para ser produto oficial da Copa, Rebelo ficou sem reação.

Depois de alguns segundos pensativo, limitou-se a dizer: "Não é boa notícia". Depois, tentou minimizar o fato. "Não necessariamente vai acontecer algo semelhante se o Brasil estiver perdendo uma partida na copa."

O apresentador do Fantástico, Tadeu Schimidt, criticou a atitude dos torcedores dizendo que deveriam sentir orgulho do instrumento. A resposta veio numa chuva de mensagens no twitter, algumas de apoio e muitas de apoio aos torcedores e criticas a Carlinhos Brown.

O deputado federal Roberto Freire (PPS-SP) já sugere a proibição da caxirola. No twitter ele escreveu: "Males que vêm para o bem.Torcedores baianos na Fonte Nova arremessaram irresponsavelmente caxirolas no campo.Talvez proibam caxirola na Copa".

O comentarista esportivo Antero Greco, do Estadão, também comentou no twitter o que já está sendo chamado na rede social de 'a revolta da caxirola': "A caxirola é feita de plástico sustentável... sustenta a família de quem inventou, de quem aprovou, de quem vai vender..."

Para completar a polêmica, o jornal inglês The Guardiam publicou no domingo um artigo intitulado "Caxirola: poupe-nos do som da Copa do Mundo 2014 do Brasil".

O jornal afirma que o "chocalho glorificado" de Carlinhos Brow lembra um instrumento criado na Inglaterra em 1966, que foi banido dos estádios por ser considerado uma arma nas mãos de torcedores revoltados.

John Crace, autor do artigo e de um vídeo no portal do jornal, comenta: "Se você achou que as vuvuzelas eram ruins, espere até ouvir a caxirola, um pedaço de plástico verde e amarelo lançado pelo Ministério do Esporte brasileiro".

    

No início do clássico Bahia e Vitória, o cantor e compositor Carlinhos Brown apresentou oficialmente a caxirola aos torcedores pela primeira vez. Com apoio de 300 percussionistas da Escola Pracatum, ele explicou como tocar o chocalho. "Podemos usar como chuá, aplauso ou sambão", explicou. Depois tocou o Hino Nacional  com a caxirola.

Muitos torcedores se divertiram e gostaram do chocalho. O técnico do Bahia, Joel Santana, apesar da chuva de caxirola sobre os seus jogadores, elogiou o instrumento: "É bacana, tem um som legal. É bom para nós e para os torcedores", declarou.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.