CCR: analistas recomendam como longo prazo

A Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), primeira empresa a lançar ações no Novo Mercado, é um bom negócio a longo prazo. No entanto, a dívida elevada da empresa e a liquidez das suas ações chamam a atenção dos investidores. A empresa já marcou sua estréia na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para 1.º de fevereiro. A CCR é uma holding que detém a concessão da Nova Dutra, Autoban, Ponte Rio-Niterói, Rodovia dos Lagos (RJ) e RodoNorte (PR). Especialistas acreditam que a administração de estradas pode trazer ganhos elevados, mas o período para maturação dos investimentos é alto. "O prazo médio de retorno em rodovias é de quatro a cinco anos", afirmou a consultora de análise setorial da Tendências, Amaryllis Romana. O negócio é visto como promissor. Basta uma viagem de São Paulo a Cabo Frio (RJ) para constatar o que pode render. No percurso, de cerca de 600 km, o motorista passa por 13 pedágios. "A CCR ficou com o filé mignon das concessões", acredita Amaryllis, referindo-se à Região Sudeste. Empresa tem endividamento elevadoOs investimentos nos primeiros anos de atuação são elevados - a CCR já aportou R$ 1,9 bilhão desde 1995. Por enquanto, opera no vermelho. Até setembro de 2001, o prejuízo antes dos impostos foi de R$ 268,8 milhões, para uma receita líquida de R$ 617 milhões. Além disso, o patrimônio líquido estava negativo em R$ 198 milhões. Um dos principais pontos negativos apontados por gestores de recursos é o elevado endividamento da empresa. Até setembro do ano passado, a dívida somava R$ 1,4 bilhão. Desse total, 46% estavam em dólar, sem proteção. "A empresa está alavancada", afirmou um dos principais gestores de recursos do País. Segundo o secretário-executivo da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Carlos Alberto Freire, o endividamento é grande, mas faz parte do negócio. Quando assumem as rodovias, as empresas realizam muitas obras de construção, duplicação e manutenção. Tendência de baixa liquidez para açõesA liquidez dos papéis em Bolsa é outro fator avaliado com grande interesse pelos especialistas. A CCR conseguiu uma concessão da Bovespa e levará a mercado apenas 20% do seu capital, e não 25% como manda o regulamento do Novo Mercado.Por ter perfil de investimento de longo prazo, a preocupação recai sobre um possível encarteiramento das ações por fundações. Ou seja, como a perspectiva de ganho com estes papéis é de longo prazo, a tendência é que os grandes investidores, como as fundações, coloquem este papel em carteira sem negociá-los com freqüência, o que reduz a liquidez da ação.Para impedir isso, a operação de abertura de capital da empresa contempla uma distribuição de 10% das ações para pessoas físicas, que poderão aplicar entre de R$ 5 mil e R$ 100 mil. Com isso, a empresa pretende aumentar a liquidez dos papéis.Preço da ação Os controladores da companhia levam os gestores de recursos a contar com um desconto no preços das ações. Andrade Gutierrez, Camargo Correa, Odebrecht, Serveng, SVE e a portuguesa Brisa são as atuais sócias da CCR - empresa vistas com certa desconfiança pelo mercado. A Odebrecht, por exemplo, já promoveu um fechamento de capital de uma de suas companhias, numa operação polêmica que levantou reclamações dos minoritários. O fato de o lançamento de ações ser no Novo Mercado da Bovespa, que possui regras firmes de governança corporativa, ameniza esse fato. "Se não fosse no Novo Mercado, eles não conseguiriam fazer a operação", disse um especialista.Como investirA Investa, uma empresa da Itaú Corretora, estará recebendo até as 15 horas do dia 24 os pedidos de pessoas físicas interessadas na reserva de ações para a oferta pública primária (IPO) da CCR. Os interessados deverão preencher uma ficha no site da corretora (veja link abaixo). É necessário possuir uma conta pessoal de investimentos no Banco Itaú, que pode ser aberta pela Web. O limite mínimo de investimento é de R$ 5 mil e o máximo, de R$ 100 mil por pessoa.

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