CEF suspende financiamento para a classe média

A Caixa Econômica Federal (CEF) suspendeu na sexta-feira, por tempo indeterminado, a concessão de empréstimos para a aquisição de imóveis novos, usados e na planta. A medida é direcionada para quem tem renda mensal superior a R$ 2 mil e está interessado na aquisição de imóvel usado. É válida também para quem ganha acima de R$ 3.250,00 e pretende comprar unidades novas, incluídas as na planta.A decisão atinge todas as linhas de crédito imobiliário bancadas com recursos próprios da Caixa, cujas principais modalidades são a Carta de Crédito Individual Caixa, a Poupança de Crédito Imobiliário (Poupanção) e o convênio Caixa do Trabalhador.Não serão afetados, segundo o diretor de Desenvolvimento Urbano da Caixa, Aser Cortines, os candidatos a um financiamento que já encaminharam a solicitação de empréstimo e estão com o pedido em análise pela instituição. Quem não deu entrada com a papelada na Caixa até quinta-feira terá de procurar as alternativas de financiamento imobiliários nos bancos privados.Caixa explica os motivosO dinheiro que abastece os empréstimos à classe média da Caixa provém de captação das cadernetas de poupança e de Certificados de Depósito Bancário (CDBs). A baixa rentabilidade da poupança (Taxa Referencial-TR mais juro de 6% ao ano, o que dá algo em torno de 0,8% ao mês) tem desestimulado esta aplicação, que, apesar de todos os prêmios ofertados pela Caixa, não tem captado recursos suficientes para os empréstimos habitacionais. Parte deles provém da captação de CDB, que tem como rendimento um juro referenciado na Selic, a taxa básica de juros, de 19% ao ano. A dificuldade, neste caso, é que a rentabilidade que a Caixa banca ao investidor é bastante superior à remuneração que a instituição recebe de quem recebeu o financiamento, porque o mutuário paga juro de 12% ao ano nesses contratos.Espera-se que os empréstimos à classe média sejam retomados apenas quando houver aumento de depósitos nas cadernetas de poupança. Outra opção seria uma elevação dos juros cobrados nesta linha de financiamento, idéia que estaria em estudos pelo governo. São mudanças que, se adotadas, valerão apenas para os novos mutuários, quando forem reabertos os empréstimos, sem afetar os atuais detentores de contrato. Além da baixa captação de recursos pelas cadernetas e do descasamento entre os juros pagos a investidores de CDBs e os recebidos dos mutuários, foi determinante para a suspensão dos financiamentos a determinação do governo de que os bancos federais (Caixa e Banco do Brasil) busquem o equilíbrio patrimonial. As duas instituições estão em processo de saneamento, iniciado em junho, em que o governo está bancando um aporte de R$ 12,5 bilhões. População de baixa renda tem financiamento garantidoSegundo a Caixa, nada muda nas linhas de financiamento concedido com recursos do FGTS para a população de baixa renda, com rendimento mensal de até R$ 2 mil. Os candidatos que se enquadram nesse caso permanecem com acesso ao crédito para a compra de imóveis novos, usados ou de materiais de construção. Para a compra de imóvel na planta, o limite de renda familiar para acesso ao crédito foi ampliado para R$ 3.250,00.

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