CEF: taxas de crédito imobiliário podem subir

Caso o governo não subsidie o crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal (CEF) com recursos do Orçamento Geral da União, o banco aumentará suas taxas. A solução não é admitida oficialmente, mas fontes da CEF e do mercado imobiliário a firmam que isso será inevitável para compensar o desequilíbrio das operações. Segundo uma fonte do setor, com a reestruturação das linhas de crédito da Caixa, haverá aumento dos custos. Em último caso, isso vai onerar o tomador do empréstimo.Hoje, o presidente da CEF, Emílio Carazzai, afirmou que o banco proporá ao governo "subsídio explícito" para equilibrar as linhas de crédito imobiliário. O dinheiro sairia do Orçamento. Para Carazzai, o desejável é que os recursos já estejam disponíveis em 2002.Atualmente, a CEF apresenta déficit em diversas linhas de financiamento. A revisão dessas operações foi determinada pelo Conselho de Administração do banco, que analisará a proposta de subsídio no final do mês.FGTSAinda não se sabe se o aumento das taxas envolveria apenas operações com recursos da própria CEF ou se atingiria também o crédito oriundo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). No entanto, mesmo que a diretoria da CEF tente, o Conselho Curador do FGTS não permitirá aumento dos juros nas operações com suas verbas. "É difícil aprovar uma medida dessas", afirmou um membro do Conselho. "Acho que ninguém permitiria", disse.RemuneraçãoQuando utiliza recursos próprios, os custos da CEF são próximos da taxa básica de juros (Selic), hoje em 16,5% ao mês. A remuneração do banco, contratada com o tomador final, é de 12% ao ano mais Taxa Referencial. É para cobrir esta diferença que a CEF registra déficit.Se o dinheiro sai do FGTS, a CEF paga 5,4% ao mês para o Fundo. A diferença fica entre 5,4% e 8%, enquanto os trabalhadores que mantêm dinheiro no Fundo são remunerados a 3%. Embora não seja deficitária, a equação é "muito apertada", conforme uma fonte. "A Caixa suporta um risco indevido", disse.Segundo a fonte, a diferença nas operações com FGTS não é suficiente para mantê-las rentáveis, pois não considera a inadimplência do sistema, nem os prazos de financiamento.

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