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Cegonheiros param no auge das vendas de carros

Desde ontem, 3 mil motoristas autônomos deixaram de fazer transporte de veículos das fábricas para as concessionárias e os portos

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2007 | 00h00

No momento em que a indústria automobilística no País bate seguidos recordes de produção e vendas, os cegonheiros da região do ABC paulista decidiram deixar as montadoras a pé. Desde ontem, a categoria interrompeu o transporte de veículos das fábricas para as concessionárias e os portos, por tempo indeterminado.A greve envolve cerca de 3 mil caminhoneiros filiados ao Sindicato dos Motoristas Cegonheiros Autônomos de São Bernardo do Campo. A categoria protesta contra a falta de assinatura da convenção coletiva e o excesso de horas de trabalho provocado pela grande demanda por veículos novos.Os cegonheiros são responsáveis pelo transporte de 3 mil veículos zero-quilômetro por dia do ABC paulista para as várias regiões do País. De acordo com Sergio Reze, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotivos (Fenabrave), se a paralisação durar mais de três dias passa a existir o risco de faltar carro nas concessionárias. Algumas opções de modelos mais equipados já estão em falta e há filas de 30 a 40 dias para entrega."Se a paralisação durar um, dois ou três dias, não tem influencia significativa nos negócios", diz Reze. "Mas, se durar mais, a produção da fábrica não vai escoar e isso vai trazer contratempo para a entrega de produto."A data-base para renovação da convenção coletiva dos cegonheiros é 1º de maio, mas o acordo não foi fechado porque o sindicato patronal teve a carta sindical cassada pelo Ministério do Trabalho, a pedido de outro sindicato da Bahia. A categoria reivindica aumento do piso salarial dos atuais R$ 780 para R$ 1.200. Além disso, a comissão do cegonheiro, que hoje varia de 10% a 15% do valor do frete, seria uniformizada em 10%. As empresas pediram prazo até dia 5 de dezembro para o início das negociações, o que foi rejeitado pelos trabalhadores. "Além do acordo coletivo, queremos negociar a carga excessiva de trabalho, que põe em risco não só a vida dos cegonheiros como a de outros milhares de brasileiros que transitam pelas estradas do País", diz Pedro Cagega, presidente do sindicato. Segundo ele, no mês passado, só na Via Dutra, que liga São Paulo ao Rio, ocorreram oito acidentes com cegonheiros.Esses motoristas trabalham para pequenas e microempresas que prestam serviços a 11 grandes empresas filiadas à Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos, que dominam o setor. De acordo com o sindicalista, por conta de um processo por formação de cartel movido contra a entidade pelo Ministério Público Federal, essas empresas não podem aumentar o número de carretas, sobrecarregando os cegonheiros. "Se ficarmos dois dias parados, não haverá mais onde pôr carros nas transportadoras", diz Cagega. "Parando São Bernardo, o restante dos cegonheiros do País parará automaticamente."

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