Celebridades criam seus próprios fundos para investir em empresas

Astros como Justin Timberlake montan fundos de participação e buscam companhias potencialmente rentáveis

Altamiro Júnior, de O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2013 | 15h37

Milionários e celebridades do mundo econômico e cultural, que vão desde o ator Ashton Kutcher, o cantor Justin Timberlake, a Yoko Ono e aos irmãos gêmeos Winklevoss, famosos por terem inspirado a criação da rede social Facebook, resolveram montar fundos de participação e buscam empresas potencialmente rentáveis para comprar ao redor do mundo.

Os milionários costumavam deixar boa parte de suas fortunas em bancos ou gestoras e escritórios especializados em grandes fortunas, além de comprarem imóveis. Mas esse comportamento está mudando. Sob inspiração de bilionários como Bill Gates e a família Rockfeller, aumentou o número de endinheirados que criam seus próprios fundos e buscam projetos mundo afora para investir.

Esses fundos são normalmente chamados de venture capital, pois procuram empresas promissoras, mas ainda em fase inicial de operação, muitas delas ligadas à internet. Os recursos financiam as primeiras expansões e levam o negócio a novos patamares no mercado.

Os investimentos médios costumam ficar em US$ 1 milhão por empresa, que pode estar em países emergentes ou na Europa e nos Estados Unidos. No passado, diz um gestor de Wall Street, um investimento assim seria raro, pois os juros eram mais altos e era mais comum –e muito mais simples – deixar o dinheiro aplicado em um banco ou em imóveis.

A discrição, no entanto, é a regra do jogo. Os nomes desses fundos normalmente escondem seus reais donos e os gestores não falam com a imprensa. O Elevation Partner, fundo do cantor Bono, líder do U2, tem escritório no Vale do Silício, Califórnia, e já investiu no Facebook e no Yelp, um site de críticas e resenhas sobre bares, restaurantes e outros serviços.

Tecnologia. Já o fundo do ator Ashton Kutcher tem o nome de A-Grade Investments, e procura investir em empresas nascentes de tecnologia. A aposta mais recente da gestora foi feita no mês passado, quando realizou um aporte na The Hunt, uma espécie de rede social onde as pessoas postam fotos de coisas que querem comprar ou vender. A companhia recebeu um aporte de US$ 700 mil de seis fundos, incluindo o do ator norte-americano.

Yoko Ono também atua nesse mercado e foi uma das investidoras da empresa Summly, criada pelo britânico Nick D’Aloisio, de apenas 17 anos. A empresa, que desenvolveu um software que organiza a forma como notícias são apresentadas nos celulares, foi vendida em março para o Yahoo! por um valor estimado em US$ 30 milhões. Além da viúva de John Lennon, Ashton Kutcher e o diretor de cinema Stephen Fry estavam entre o grupo de investidores iniciais na companhia.

Já os irmãos Winklevoss ficaram famosos após o filme A Rede Social. Na época, eles convidaram o colega de faculdade, Mark Zuckerberg, para ajudar no desenvolvimento de uma rede social, mas ele saiu em seguida para criar o Facebook. Os irmãos, então, processaram Zuckerberg pelo roubo da ideia.

Foi com os recursos resultantes do processo (estimados em US$ 220 milhões) que eles criaram a Winklevoss Capital, que busca empresas desenvolvedoras de novas tecnologias. Um dos investimentos do fundo foi na SumZero, uma comunidade online de gestores profissionais de recursos.

Justin Timberlake, que também participou do longa A Rede Social no papel de Sean Parker (cofundador do site de compartilhamento de arquivos Napster), passou a investir pesado em jovens empresas de internet depois do filme. Entre elas está a Stipple (de compra de imagens) e o MySpace, rede social de música que perdeu muitos usuários no passado e agora tenta recuperar o público.

Inspiração. Além de Bill Gates, outro bilionário que inspirou a criação desses novos fundos menores foi Michael Dell, o criador da fabricante de computadores Dell. Ele é dono da MSD Capital, gestora com US$ 10 bilhões em patrimônio que procura investir em empresas um pouco mais consolidadas.

A filosofia do fundo é que mais importante que o país dessa empresa são suas perspectivas de lucros e retornos no médio prazo.

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