Celesc passará a protestar indústrias inadimplentes

A Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) resolveu agir de forma mais dura em relação à inadimplência entre seus clientes de grande porte. Atualmente, a inadimplência entre os clientes formados por grandes consumidores de energia, servidos em alta tensão - conhecidos no setor elétrico como o grupo A - soma R$ 126 milhões, conta o diretor-financeiro da companhia, Paulo Martignago. Esse valor representa quase o faturamento de um mês neste segmento. Para endurecer na cobrança, a empresa está desenvolvendo um programa que permitirá, até outubro, fazer chegar a todos os consumidores do grupo A um novo sistema de cobrança que permitirá levar os clientes inadimplentes a protesto em cartório. A idéia, segundo Martignago, é coibir a inadimplência de clientes industriais dessa categoria por meio da restrição de crédito proporcionada pelo protesto. Sistema de cobrançaA Celesc vem estruturando já há muito tempo um sistema de cobrança que coibisse a estratégia de determinados clientes, observada em algumas empresas, de deixar de pagar a conta, muitas vezes respaldados em liminares judiciais, como forma de assegurar capital de giro.Os planos de um acirramento da cobrança foram facilitados com a obrigatoriedade de assinatura de contratos entre distribuidoras e os clientes, adotada há alguns meses. Segundo Martignago, foi incluído um "aceite" no contrato, em que o consumidor garante estar ciente das condições contratuais. Com a mudança, a fatura deixou de ser um tíquete bancário e passou a ser uma ficha de compensação, o que permitirá que a empresa inadimplente seja protestada em cartório.A Celesc já realizou, com sucesso, um teste do novo sistema com clientes industriais. Dos cinco clientes protestados, três pagaram seus débitos em cartório. Os outros dois entraram, logo depois, em processo de falência. Os valores recuperados foram relativamente pequenos a dívida total desses clientes era de cerca de R$ 100 mil, dos quais R$ 80 mil foram recuperados. "Mas a experiência mostrou que, se o cliente não estiver realmente em sérias dificuldades financeiras, será possível recuperar a receita", diz o diretor.

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