Aly Song/REUTERS
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Coronavírus deve reduzir investimento externo

Se epidemia não for contida no primeiro semestre, retração em todo o mundo pode chegar a 15%, segundo levantamento da Unctad

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2020 | 18h16

Londres - A epidemia do coronavírus pode fazer com que o investimento estrangeiro direto (IED) caia entre 5% e 15% neste ano em todo o mundo, segundo a agência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Em janeiro, a instituição previa que o IED pudesse crescer 5% em 2020.

Para que a retração do investimento direto fique na casa dos 5%, o vírus precisa ser contido ainda neste primeiro semestre, informa a agência, em relatório. Caso contrário, o recuo poderá chegar a 15%. “Grande parte do impacto será impulsionado por investimentos adiados, consequência do choque de demanda global”, diz o documento.

O impacto do coronavírus será mais significativo nas economias mais severamente afetadas pela epidemia e naquelas mais integradas à cadeias de valor da China, da Coreia do Sul e do Japão.

A perspectiva da agência é que investimentos de multinacionais se desacelerem. Com locais de produção fechados ou operando com menor capacidade, as empresas devem interromper temporariamente novos investimentos em ativos físicos e adiar expansões.

Ainda de acordo com o relatório, as previsões de ganhos das maiores multinacionais do mundo já foram reduzidas, em média, em 9%. O cálculo foi feito com base em dados das 5 mil maiores empresas do globo.

As companhias instaladas em países emergentes, porém, devem sofrer mais e estão projetando um lucro 16% inferior ao esperado no início do ano. No caso das empresas com sede em países desenvolvidos, esse número é de 6%.

“Nas economias desenvolvidas, as revisões de resultados foram relativamente leves até o momento”, afirmou a Unctad. Na América Latina e no Caribe, a revisão para baixo também foi de 6%.

As revisões até o momento são conservadoras, ponderou a agência. O documento menciona que as revisões negativas mais significativas na indústria automotiva, por exemplo, vêm de produtores de peças nas áreas mais afetadas do Sudeste Asiático, enquanto as principais montadoras de economias desenvolvidas ainda não registraram o choque. “É provável que o impacto negativo do vírus se espalhe e aumente ainda mais.”

Segundo os dados da Unctad, o setor de veículos prevê uma queda de 44% no lucro, o de companhias aéreas, de 42%, e o de hotéis, restaurantes e lazer, de 21%. 

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