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Dilma e suas escolhas

Para onde vai a política econômica, agora confiada ao novo ministro Nelson Barbosa? 

Celso Ming, O Estado de S. Paulo

20 de dezembro de 2015 | 03h00

Já foi dito que, ao longo dos últimos 12 meses, Barbosa mostrou diferenças relevantes de perfil quando comparado com o do seu antecessor Joaquim Levy. Embora tenha se reapresentado ao País como xerife implacável do ajuste, do controle da inflação e das reformas, ele é mais chegado a abrir do que a fechar torneiras.

No entanto, com a nomeação do disciplinado Nelson Barbosa, Dilma Rousseff será mais ela própria o ministro da Fazenda do que foi com Joaquim Levy. Assim, tudo continua dependendo dela. O desfecho do processo do impeachment vai ficando para depois, com os desdobramentos que nenhum analista ousa prever. O tratamento a ser dado aos problemas da economia depende em grande parte do encaminhamento que for dado à encalacrada política.

Uma hipótese a levar em conta é a de que o processo de impeachment seja de fato instaurado. Não parece o mais provável depois que o Supremo cortou as asas da Câmara. Mas, ainda assim, se for instaurado, a presidente Dilma terá de ser afastada do cargo até que se completem os trâmites processuais. Nesse cenário, o vice-presidente, Michel Temer, assumiria a Presidência e tentaria cozinhar tudo em banho-maria, até que as coisas se resolvessem.

Se o impeachment for concluído e a presidente Dilma for embora, assumiria o vice e, uma vez no cargo, procuraria praticar o que deixou gravado em pedra no programa divulgado em outubro que levou o título Uma ponte para o futuro. Seria a opção pela arrumação da casa, cujo sucesso ficaria condicionado à qualidade do apoio político com que pudesse contar.

Mas, depois de tudo o que aconteceu, o impeachment pode acabar sendo rejeitado. Assim, Dilma teria de tratar do que não conseguiu até agora: teria de governar, com o apoio possível, e, de olho nas eleições presidenciais de 2018, seria reapresentada ao mesmo leque de escolhas.

Fora do que está nos manuais de Economia não há solução sustentável, como os últimos três anos demonstraram. Mas quem disse que assim pensa a presidente Dilma e seu ministro da Economia, que será ela própria? 

Mesmo que a escolha da ortodoxia seja retomada, talvez com outro discurso e novas caras, é alta a probabilidade de que não se sustente e que resvale para uma política que “empurre tudo com a barriga”. Seria uma ortodoxia capenga pouco capacitada a produzir a recuperação e a devolver votos ao PT.

Mas, vai que a presidente Dilma entenda, como parece mais provável, que a ortodoxia tentada em 2015 deva ser definitivamente abandonada, porque “não funcionou” nem garantiu ao Brasil o certificado de bom pagador pelas agências de classificação de risco.

Nesse caso, a opção poderia ser a volta, em alguma proporção, da malfadada Nova Matriz Macroeconômica, o arranjo que desarticulou a economia a partir de 2012. As distorções se multiplicariam e, a partir daí, já não dá para saber o que viria a seguir.

Em tempo: O que está escrito aqui não levou em conta os efeitos de um fator que pode mudar tudo. Trata-se da Operação Lava Jato e de seus desdobramentos, que têm potencial para criar mais incertezas, tanto na política como na economia.

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