Celulares baratos desafiam poder do iPhone na China

MI2, da Xiaomi, lançado ontem, custa metade do smartphone da Apple e tem configuração superior ao do modelo 4S, o mais recente

REUTERS / XANGAI, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2012 | 03h05

No crescente mercado de smartphones da China, que este ano provavelmente superará o dos Estados Unidos, o maior do mundo, diversas empresas locais pouco conhecidas estão se preparando para tirar participação de mercado da gigante americana Apple e seu iPhone, por meio de modelos de baixo preço.

No mais recente desafio local ao iPhone, a Xiaomi Technology lançou ontem o sucessor do seu smartphone popular MiOne (MI). O MI2 tem especificações que superam as do iPhone 4S e é vendido por menos da metade do preço. Os smartphones da Xiaomi revelaram-se tão populares que se esgotam em minutos mal chegam ao mercado. A companhia informou no mês passado que o faturamento do primeiro semestre foi de quase US$ 1 bilhão, com a venda de mais de 3 milhões de celulares.

Fundada há apenas dois anos por Lei Jun, seu atual presidente, a Xiaomi já tem um valor de mercado que supera o da Research in Motion (RIM), fabricante do BlackBerry, segundo estimativas de analistas.

Imitando a conferência mundial anual dos desenvolvedores da Apple (WWDC), onde os fãs pagavam para ouvir Steve Jobs quando apresentava os seus novos produtos, Lei cobrou dos fãs da Xiaomi 199 yuans (US$ 31,30) para o almoço em Pequim - com os recursos indo para uma instituição beneficente. Mais de mil pessoas compareceram.

Embora as vendas do iPhone devam aumentar na China, a parcela de mercado da Apple poderá estagnar ou mesmo despencar, porque a mudança demográfica do mercado significa que o iPhone vende muito somente em cidades chinesas mais ricas, afirmam os analistas.

A consultoria IDC calcula que, no ano passado, na China, os smartphones que custavam menos de US$ 200 representaram 40% das vendas, enquanto os aparelhos que custavam US$ 700 ou mais representaram 11% do mercado.

"Os preços mais acessíveis na China estão na faixa dos 800 a 1,5 mil yuans (entre US$ 130 e US$ 240)", disse Michel Clendenin, diretor-gerente da empresa de consultoria Red Tech Advisors de Xangai. "O 'Lao Bai Xing', ou o homem comum, vai gostar destes celulares de preço médio."

Sem luxo. Li Xing, 35, um dos participantes do evento de lançamento do celular da Xiaomi, explicou por que não comprou um iPhone. "Eu preferi não usar a Apple porque não quero que meu telefone seja um produto de luxo. É apenas um telefone."

O MI2, que começará a ser vendido em outubro a 1.999 yuans (US$ 310), tem um processador quad-core, uma câmera de 8 megapixels e um assistente de voz semelhante ao Siri, da Apple.

A Apple lança um único modelo de iPhone por ano, ao preço de cerca de US$ 800. O valor equivale a cerca de dois meses de salário dos chineses que moram em áreas urbanas, que representam a metade da população de 1,3 bilhão de habitantes do país.

Os analistas afirmam que o crescimento real na China se dá no setor dos smartphones mais baratos, onde uma ampla variedade de modelos atrai os que os compram pela primeira vez.

"A Apple não vai dominar a China, simplesmente porque seus modelos são limitados e estão em faixas de preços maiores", disse TZ Wong, analista da IDC. "Baseados nestes dois fatores, não achamos que a Apple será a fabricante número um de smartphones na China." A Apple ficou em segundo lugar nas vendas de smartphones no período de janeiro a março, com uma parcela de mercado de 17,3%, atrás dos 19,2% da Samsung, segundo a consultoria Gartner.

As vendas de iPhones na China, seu segundo maior mercado, tropeçaram no período de abril a junho em razão de ajustes dos estoques com o lançamento do iPhone 4S. O lançamento esperado para o fim do ano do iPhone 5, com maior capacidade para a língua chinesa, também contribuiu para segurar as encomendas. /TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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