Celulares de SP passam a ter 9 dígitos amanhã, com risco de falha no serviço

Telefonia móvel. Por determinação da Anatel, o dígito "9" será acrescentado aos números de celulares de 64 cidades de São Paulo que usam o código 11 a partir de amanhã. Agência reguladora afirma que migração poderá acarretar "instabilidades" pontuais

RODRIGO PETRY, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h08

O acréscimo do nono dígito aos telefones celulares com DDD 11 a partir de 0h amanhã, que afetará consumidores de 64 cidades do Estado de São Paulo, poderá gerar "instabilidades" pontuais nos serviços por causa da migração dos equipamentos e sistemas que será feita pelas empresas, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão que regula o setor.

O alerta sobre as eventuais falhas foi dado ontem pelo gerente de interconexão da Anatel, Adeilson Nascimento: "É difícil precisar quanto tempo poderia durar a instabilidade, se dois ou três minutos, porque depende de cada equipamento e sistema utilizado pelas empresas", afirmou.

De forma preventiva, a TIM informou aos seus clientes esta semana, via mensagem de texto, que poderá ocorrer alguma instabilidade no atendimento, serviços e sistemas em virtude da inclusão do nono dígito nos números de todos os municípios com o código de área 11.

Em nota à imprensa, a empresa admitiu a possibilidade, mas garantiu estar "preparada" para o cumprimento da nova resolução. Procuradas pela Agência Estado, as demais companhias do setor - Claro, Oi e Vivo - afirmaram que estão preparadas para as novas regras e que darão suporte aos usuários nas centrais de atendimento ao consumidor. As operadoras disseram também que vêm há algum tempo se comunicando com os clientes para informar sobre a mudança.

O gerente da Anatel ressaltou que, apesar dos problemas enfrentados atualmente por algumas operadoras, que estão proibidas de vender novos chips em determinados Estados, isso não deverá atrapalhar a migração do nono dígito. "Existiu uma coincidência", afirmou, acrescentando que a medida é uma iniciativa de longo prazo, pois deverá garantir a liberação de novos números na área de DDD 11 pelo menos até 2025.

Segundo ele, atualmente cerca de 42 milhões de números estão à disposição das empresas para oferecer aos clientes. Com o acréscimo do nono dígito, este total atingirá 90 milhões de combinações.

Neste momento os 64 municípios de abrangência do DDD 11 consomem 34 milhões de combinações. "É difícil prever quando haveria o esgotamento (do DDD 11), mas isso poderia acontecer até o fim do ano", afirmou. A população desta região é de aproximadamente 23 milhões de pessoas.

Outras regiões. A mesma resolução que determinou a inclusão do nono dígito em São Paulo prevê a expansão para o restante do País. O principal objetivo dessa ampliação, porém, seria mais para uma padronização do que necessariamente pela falta de números em outras áreas.

As áreas 21 (Rio de Janeiro), 31 (Minas Gerais), 51 (Rio Grande do Sul) e 81 (Pernambuco), nessa ordem, estariam mais próximas do "esgotamento", afirmou Nascimento. "Em dois ou três anos pode haver esgotamento da área 21, do Rio", adiantou.

Adaptação. A introdução do nono dígito na telefonia móvel passará por um período de adaptação. Entre os dias 29 de julho e 7 de agosto, nos dez primeiros dias, nenhuma ligação será interceptada, seja ela realizada com oito ou nove dígitos.

A partir de 8 de agosto, todas chamadas originadas com oito dígitos para o DDD 11 serão interceptadas parcialmente e os usuários receberão uma mensagem com a orientação da nova marcação, com nove dígitos.

Essas interceptações, porém, serão gradualmente implementadas pelas operadoras, respeitando um cronograma entre as ligações locais, de dentro e de fora do Estado de São Paulo.

No caso das ligações locais do DDD 11 realizadas com oito dígitos, entre 8 de agosto e 16 de outubro, gradualmente, as operadoras terão que interceptar a chamada, sem completá-la. Após este período, 100% das ligações terão que ser interceptadas (veja quadro acima).

O mesmo vai valer para as chamadas de longa distância. As realizadas de fora do Estado de São Paulo serão interceptadas parcialmente entre 8 de agosto e 17 de agosto. Já nas realizadas dentro do Estado de São Paulo, as interceptações parciais acontecerão entre 18 de agosto e 27 de agosto.

No entanto, até 16 de setembro, as operadoras poderão decidir se vão completar ou não automaticamente, após a interceptação, as ligações. Todas as interceptações serão encerradas, complemente, até 15 de janeiro de 2013.

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