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Celulares melhores

O consumidor brasileiro tem comprado celulares mais sofisticados. As vendas de aparelhos começaram a cair no trimestre passado, mas a queda aconteceu principalmente entre os modelos mais baratos. Atividades que eram feitas no computador e no tablet têm migrado para o celular, o que faz com que as pessoas busquem modelos com configuração melhor.

Renato Cruz, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2015 | 03h00

Segundo Roberto Soboll, diretor de produtos da Samsung, a chamada categoria “premium”, de celulares que custam mais de R$ 1,5 mil, dobrou no ano passado. Os aparelhos com preço acima de R$ 1 mil ficaram com uma fatia de 30%. Apesar da crise, a tendência de o consumidor buscar celulares mais sofisticados se manteve neste ano. “O mercado ‘low end’ (de celulares baratos) entrou em colapso”, diz Soboll. “Hoje, as compras estão concentradas em aparelhos de R$ 800.” Muitos consumidores de renda mais baixa já estão trocando de smartphone, comprando pela segunda vez. Por isso, têm uma ideia mais clara do que seria a configuração mínima para ter uma boa experiência de uso. 

O diretor da Samsung aponta que as pessoas têm procurado telas de cerca de 5 polegadas, câmeras de pelo menos 8 megapixels e processadores de quatro núcleos (quadcore) ou mais. Quem não tem dinheiro para comprar vários dispositivos, acaba optando por um celular de boa configuração que substitui PC e tablet.

A tendência de crescimento dos smartphones mais caros é confirmada pelo presidente da Sony Mobile no Brasil, Ricardo Junqueira. Segundo ele, o segmento de aparelhos com preço a partir de R$ 1 mil cresceu 29% no Brasil durante o 1.º semestre. A Sony Mobile resolveu concentrar esforços na fatia dos aparelhos “premium”. “O consumidor foca muito em câmera, bateria e design.” 

Fabricantes com marcas reconhecidas, como Sony e Samsung, enfrentam o desafio de fazer frente a aparelhos chineses e taiwaneses que chegam ao País a preços mais baixos. E a concorrência não para por aí. Na semana passada, a brasileira Positivo lançou uma nova marca de celulares, chamada Quantum, com tela de 5 polegadas, processador de oito núcleos (octacore), câmera de 13 megapixels e preços abaixo de R$ 1 mil.

Os aparelhos de todos esses fabricantes rodam o sistema operacional Android, do Google. Com o avanço tecnológico, os smartphones mais baratos começam a ter configurações boas, e os mais sofisticados são obrigados a se diferenciar por características como design e câmeras poderosas.

No ano que vem, haverá um desafio maior. O governo cancelou os benefícios tributários aos bens de informática, que incluem smartphones. A alíquota do PIS e da Cofins vai subir de zero para 9,25% no varejo. O celular vai ficar mais caro para todo mundo.


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