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Celulares precisam se destacar na multidão

Desafio é ser diferente num mercado de telas grandes sensíveis ao toque

Jenna Wortham, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

É o dilema do fabricante de celulares moderno: na era da tela sensível ao toque, como se destacar na multidão de aparelhos quando a maioria dos telefones são retângulos vítreos quase idênticos?

Para chamar atenção, as fabricantes de hardware estão sendo obrigadas a encontrar novas maneiras de atrair os consumidores que estão menos interessados em particularidades como a velocidade do processador e mais em saber que aplicativos os programas conseguem rodar, e o quão facilmente podem acessar seu email ou o Facebook.

"No final das contas, é tanta coisa que você pode fazer com um pedaço de vidro", disse Chris Jones, analista da empresa de pesquisa Canalys. "O software pode fazer ou acabar com um telefone."

No Mobile World Congress, semana passada em Barcelona, algumas fabricantes de celulares buscaram responder aos desejos do mercado, apresentando aparelhos com algo novo, esperando que, com isso, consigam chamar atenção dos clientes com um único recurso, como as imagens tridimensionais (3D). Outras, como a HTC, estão comprando ou investindo em companhias de entretenimento e jogos, cujos serviços podem canalizar para os aparelhos móveis.

No que diz respeito aos aplicativos, o iPhone ainda tem a maior seleção. Mas as fabricantes em busca de um concorrente forte para o celular da Apple aderiram ao Android, sistema operacional móvel criado pelo Google e software básico dos aparelhos de dezenas de fabricantes.

Andy Rubin, vice-presidente do Google e um dos principais responsáveis pela criação do Android, disse que o sistema oferece as "ferramentas básicas" para permitir que as fabricantes criem novos modelos mais rapidamente, já que não vão ter que se preocupar com o software do telefone.

"Elas podem se concentrar na criação de um design inovador melhor", disse ele. "Não precisam se preocupar com a adição de memória de gerenciamento ou a capacidade de realizar múltiplas tarefas". Mas esse ímpeto para adotar o Android significa que um telefone com tela sensível ao toque rodando o software pode acabar, facilmente, sendo parecido com qualquer um dos muitos similares existentes.

"O Android começa como a base", disse Steve Walker, vice-presidente executivo da Sony Ericsson. As fabricantes de celulares, segundo ele, "ainda têm de criar algo além disso". "A resposta da Sony Ericsson é o Xperia Play, um smartphone Android com uma série de botões que desaparecem sub-repticiamente, lembrando o PlayStation Portátil, da Sony. A ideia é que o aparelho permita aos usuários jogarem games complexos demais para serem controlados apenas pelo toque na tela.

A Sony Ericsson também exibiu três outros telefones da linha Xperia, incorporando câmeras e outras tecnologias da outra metade da Sony, na sua parceria com a Ericsson sueca.

A companhia espera que os aparelhos a ajudem a entrar nos Estados Unidos, onde a marca Sony lembra apenas câmeras digitais, televisores e reprodutores de música - e não necessariamente telefones. "No passado tivemos problemas para inserir nossos aparelhos no mercado americano", disse Walker.

Três dimensões. Durante a conferência, que durou uma semana, várias outras grandes fabricantes de celulares apresentaram aparelhos com uma ou outra peculiaridade. A LG, da Coreia do Sul, por exemplo, apresentou um smartphone com uma tela capaz de exibir conteúdo em 3D que não exige nenhum óculos especial.

A INQ, fabricante de menor porte de aparelhos telefônicos sediada na Grã-Bretanha, espera atrair usuários das redes sociais com uma linha de aparelhos baseados no Android que traz como um dos seus principais recursos o Facebook. As telas iniciais dos aparelhos mostram atualizações dos perfis do Facebook do proprietário, inclusive imagens e vídeos, e permitem um rápido acesso à conversação e às funções de localização.

A HTC, fabricante taiwanesa de hardware, também tenta explorar a mania das redes sociais. Na terça-feira, a companhia apresentou dois telefones, o ChaCha e o Salsa, com uma tecla separada na frente para acessar rapidamente o Facebook.

Na mostra, a HTC mostrou seu primeiro tablet, um aparelho fino chamado Flyer, que vem com uma stylus e tem novas ofertas de software. O Flyer vem com aplicativo para streaming de filme HTC Watch, bem como um acesso ao OnLive, serviço online que permite que as pessoas joguem games complexos sem comprar um hardware especializado.

Mudança. Mas o melhor indicador das dificuldades que aguardam os fabricantes de telefone é talvez o recente anúncio de que a Nokia concluiu uma aliança com a Microsoft para usar seu software Windows Phone 7 em sua linha de aparelhos móveis, abandonando o software que ela mesma produzia.

"Está ocorrendo uma mudança mundial: da batalha dos aparelhos para uma guerra de ecossistemas", disse Stephen Elop, o novo presidente da Nokia, encarregado da virada da companhia, em um encontro com a imprensa. "A Nokia traz o hardware e um incrível design industrial, e a Microsoft tem o software".

A Nokia, que contribuiu para formar o moderno mercado de telefones celulares, investiu milhões na adaptação da sua operação de aparelhos sem fio a este setor que evolui a uma velocidade incrível. Muitos consideram a aliança a admissão de que, para companhias como a Nokia, não basta mais fabricar os aparelhos mais modernos e elegantes.

"Elas precisam também construir um portfólio de conteúdo, o know how para atrair desenvolvedores e ajudá-los a ganhar dinheiro", afirmou Al Hilwa, analista da empresa de pesquisa IDC. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO E ANNA CAPOVILLA

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