Celulose está em queda na Bovespa

As ações das empresas de papel e celulose estão longe de mostrar o brilho do ano passado, quando foram os grandes destaques da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O preço das ações da Aracruz, por exemplo, dispararam quase 400%. O setor contribuiu para que o Índice Bovespa encerrasse 1999 com alta de 150%. Neste ano, o desempenho é bem diferente. Até a última sexta-feira, os papéis da empresa amargavam uma perda de 36% enquanto o Ibovespa acumulava queda de 10%. Também vêm mostrando fraco desempenho as ações da VCP, com desvalorização de 26,5%. Uma exceção é Klabin, com ganho de 12,4% no período. O diretor financeiro da Aracruz, Agílio Macedo, disse que as ações das companhias do setor foram prejudicadas pelo aumento nos estoques Norscan, que estavam em 1,379 mil toneladas de celulose no final de setembro deste ano, 9,35% acima do volume verificado em igual período do ano anterior.O aumento de estoque sinaliza uma estabilização de preços da matéria-prima. O aumento do preço da celulose no mercado internacional incrementou os resultados das companhias do segmento. A analista Catarina Pedrosa, da corretora BBVA Securities, afirmou que o desempenho do segmento em Bolsa neste ano ficou abaixo de sua expectativa. Segundo ela, o mercado está antecipando a virada do ciclo de alta do setor.A expectativa inicial era que os preços da celulose entrariam em queda no final de 2001. Agora, estima-se que a matéria-prima deve começar a mostrar preços declinantes já no primeiro trimestre do ano que vem. Isso seria conseqüência de uma queda no consumo mundial.Na avaliação de Catarina, a virada do ciclo não deve ocorrer tão rapidamente. "Os estoques ainda estão baixos e não há grandes projetos para elevar a capacidade de produção." Ela diz também que a situação das empresas brasileiras do segmento é positiva: "Além de aproveitar a alta do preço da celulose, elas estão com uma saúde financeira que não se via há tempos."

Agencia Estado,

17 de outubro de 2000 | 18h13

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