Cemig busca sócio para comprar fatia de estatal colombiana por US$ 2 bi

Companhia participará do processo de privatização da Isagen, que vale US% 4,5 bilhões; se concretizar operação, empresa vai reiniciar seu processo de internacionalização, que começou no Chile há quatro anos

Josette Goulart e Sonia Racy, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2014 | 02h07

A Cemig está em busca de parceiros para participar do processo de privatização da geradora de energia colombiana Isagen, em um negócio de mais de US$ 2 bilhões, segundo fontes próximas aos acionistas da empresa. Na próxima segunda-feira, o governo da Colômbia inicia a segunda fase da venda da companhia e fontes do mercado financeiro dizem que a estatal mineira iniciou na semana passada uma sondagem com bancos de investimentos para assessorá-la no processo.

O negócio envolve a compra de 56% da companhia colombiana que vale no total cerca de US$ 4,5 bilhões e tem capacidade de gerar mais de 2 mil MW de energia na Colômbia. Na primeira parte do processo de privatização, foram chamados fundos de pensão de funcionários que compraram 0,9% da companhia. Na segunda-feira, o governo abre acesso à base de dados da empresa aos interessados em adquirir a geradora. A previsão é de que o processo se encerre em abril.

Se concretizar a operação na Colômbia, a Cemig vai reiniciar seu processo de internacionalização que começou no Chile há quatro anos, por meio da compra de ativos de transmissão. Depois disso, a estatal mineira chegou a avaliar os ativos da portuguesa EDP em Portugal, mas o negócio acabou sendo fechado pela chinesa Three Gorges.

A Cemig quer buscar um parceiro para a compra da Isagen pois os valores envolvidos são bastante elevados, segundo um executivo próximo à companhia. Apesar de estar reduzindo sua alavancagem desde 2011, a empresa quer preservar sua capacidade de geração de caixa. A dívida total da elétrica chega a R$ 9,5 bilhões e cerca de R$ 1,5 bilhão vence neste ano. Até o terceiro trimestre, a capacidade de geração de caixa superava os R$ 4 bilhões.

A companhia mineira, no entanto, está com boas perspectivas de gerar ainda mais caixa. Os dados fechados do balanço do ano de 2013 ainda não foram divulgados, mas existe expectativa de que registre ganhos extraordinários com forte alta dos preços da energia no curto prazo. Por não ter aceito renovar antecipadamente as concessões que venciam em 2015, a empresa tem energia sobrando para liquidar no mercado à vista.

Com a estiagem que atingiu o Brasil nos últimos meses (a maior em 83 anos) e com os reservatórios das hidrelétricas secando, os preços da energia no mercado à vista ultrapassaram R$ 800. As geradoras que têm energia sobrando, ou seja, sem contrato, recebem exatamente esse valor por cada megawatt que está descontratado. O último dado disponível divulgado pela empresa a bancos internacionais mostra um total de 465 megawatts disponíveis para venda em 2013. Em 2014, a previsão era de 570 MW.

Distribuição. Por outro lado, em seu resultado consolidado, a empresa também precisa registrar as perdas na atividade de distribuição, que é quem está pagando a conta dos preços altos no mercado à vista. Mesmo assim, no caso da distribuição, as perdas são repassadas aos consumidores de energia atendidos pelas distribuidoras e viram caixa mais tarde.

A estatal mineira tem hoje 7.140 MW de capacidade instalada e quase metade tem concessão vencendo em 2015, ou seja, a empresa terá que devolver ao governo federal. De qualquer forma, a companhia tem novos projetos em andamento que vão entrar em operação até lá e com isso recupera boa parte de sua capacidade instalada. Há poucos dias, por exemplo, a Cemig anunciou a efetivação da compra da Brasil PCH por R$ 740 milhões, que vai agregar quase 300 MW a seu parque.

O plano de investimentos para o ano é de R$ 3 bilhões. A previsão é de que metade desse valor seja usada para aquisições. Desse total, a Cemig já gastou com a compra da Brasil PCH e vai desembolsar R$ 206 milhões na compra de 5% de Belo Monte. Sobre a negociação da Isagen, a assessoria de imprensa não retornou à reportagem até o fechamento da edição.

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