Cemig negocia termelétricas da Petrobrás

Presidente da Cemig,Mauro Borges, disse que as conversas podemincluir compra ealiança estratégica

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE/ NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2015 | 02h04

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) está interessada em comprar ativos de termelétrica da Petrobrás, afirmou o presidente da empresa, Mauro Borges. As conversas já começaram e podem incluir não apenas aquisições, mas também alianças estratégicas, disse o executivo a jornalistas após o Cemig Day, evento que reuniu investidores e analistas em Nova York e contou com a participação do governador mineiro, Fernando Pimentel.

Os ativos na área de termelétrica da Petrobrás são avaliados em US$ 7 bilhões a US$ 8 bilhões, segundo Borges, destacando que a capacidade de geração de energia das unidades é semelhante à da usina de Itaipu. "A discussão com a Petrobrás está aberta. Temos relacionamento longo e lucrativo com a petroleira, com vários negócios juntos", afirmou Borges. "Estive na Petrobrás discutindo sobre isso e a recepção foi fantástica."

Uma das possibilidade é usar a empresa que a Cemig criou com a mineradora Vale, a Aliança Geração de Energia, para uma parceria. "Podemos usar este veículo privado para estabelecer um acordo com a Petrobrás. Isso é bem possível", afirmou Borges. "Tudo depende da Petrobrás, se querem ficar no negócio, se querem sair (da operação de termelétrica)", disse.

Em sua apresentação para investidores, Mauro Borges frisou que as oportunidades de aquisição no Brasil no setor de energia são "vastas" e a Cemig é compradora.

"É um bom momento para compras de outras empresas", disse o presidente da Cemig, ao ser questionado por um analista sobre a possibilidade de aquisições no País em um momento em que empresas estão com preços baixos.

Gás. Além das discussões com a Petrobrás, a Cemig quer avançar no setor de gás. Para isso, deve criar uma empresa privada, como uma joint venture, de acordo com Borges. A estratégia é a mesma que a empresa mineira fez em transmissão de energia, com a criação da Taesa, com a Vale, na Aliança Geração de Energia, e na área de energia renovável, com a constituição da Renova. "Nossa estratégia de crescimento é baseada em veículos privados, que têm baixa alavancagem, como a empresa criada com a Vale, e são negócios bem sucedidos", disse aos jornalistas.

"Esta estratégia será mantida. Este é o jeito natural de expandir nossa posição no mercado de gás", afirmou o presidente da Cemig, destacando que a intenção é operar com a distribuição do produto. "Com um novo veículo privado podemos ter resultados muitos promissores, porque a distribuição de gás no Brasil está começando, temos uma rede curta e este veículo pode ser importante para conseguir estas oportunidades."

O diretor de relações com investidores, Luiz Fernando Rolla, afirmou que a Cemig está negociando com investidores privados a criação da joint venture para operar no setor de gás. A expectativa é que o negócio saia neste ano.

Dívida. A Cemig deve fazer uma emissão no mercado local nos próximos meses para rolar dívidas que vencem no curto prazo e financiar os investimentos este ano, disse Rolla. Ele ressaltou que a empresa já emitiu R$ 3 bilhões em debêntures no primeiro trimestre no Brasil e deve voltar ao mercado em breve, uma vez que tem dívida vencendo em julho.

A Cemig tem R$ 5 bilhões em dívida vencendo este ano e com a emissão recentemente já refinanciou 60% do total. A vantagem de se financiar no mercado local, ressaltou, é que a empresa, que tem receitas só em reais, não se expõe ao risco cambial.

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