Cemig procura sócios para disputar Isagen

Empresa vê condições mais favoráveis a investidores na Colômbia do que no Brasil e quer entrar no mercado com a compra da estatal colombiana

Wellington Bahnemann , O Estado de S.Paulo

25 de março de 2014 | 02h07

A estatal mineira Cemig está buscando novos parceiros para participar da disputa no processo de privatização da geradora colombiana Isagen, confirmou o diretor financeiro e de Relações com Investidores da empresa, Luiz Fernando Rolla, em teleconferência para divulgar os resultados do ano passado.

No começo deste mês, a Cemig anunciou a formação de um consórcio com a estatal Empresas Públicas de Medellín (EPM) para disputar o ativo. Rolla destacou que a Isagen é uma oportunidade única para o ingresso da estatal mineira no mercado colombiano de energia, dado o seu tamanho.

"O mercado da Colômbia não é grande comparativamente ao do Brasil, mas a Isagen nos dá uma oportunidade para ter a escala necessária para que possamos fazer a operação de forma eficiente", argumentou.

A Isagen possui um parque gerador de seis usinas, totalizando uma capacidade instalada de 2,212 mil MW, sendo 86,43% de geração hidráulica e 13,57% de geração térmica. "A empresa ainda tem mais uma usina entrando em operação em 2015", destacou Rolla.

Segundo o executivo, o mercado colombiano interessa à Cemig porque o ambiente de investimentos no país vizinho é mais favorável aos investidores atualmente do que no Brasil.

Recomposição. A Cemig foi uma das empresas que optaram por não renovar a concessão de hidrelétricas com contratos a vencer nos próximos anos nas condições estabelecidas pela Medida Provisória (MP) 579.

O diretor-presidente da Cemig, Djalma Bastos de Morais, disse que as últimas compras de ativos da companhia na área de geração têm como objetivo minimizar os efeitos da MP 579 no parque gerador da estatal, que ficará menor com a devolução das usinas não renovadas pela empresa. "Estamos paulatinamente readquirindo a capacidade de geração perdida", afirmou o executivo, em teleconferência a investidores.

Nos últimos meses, a Cemig esteve envolvida em uma série de operações na área de geração. A estatal comprou a participação da Petrobrás na Brasil PCH e usou essa fatia para ingressar no bloco de controle na Renova Energia, uma das maiores empresas de energia renovável do País.

A companhia também constituiu uma joint venture com a Vale para unificar ativos de geração de ambas as empresas, a Aliança Geração de Energia, e elevou sua participação acionária nas hidrelétricas Belo Monte, no Rio Xingu (PA), e Santo Antônio, do Rio Madeira (RO).

Essas operações fazem parte da estratégia da Cemig para compensar as usinas que a companhia optou por não renovar. Além dessas usinas, a estatal discute na Justiça com o governo federal a renovação dos contratos de concessão de três hidrelétricas - Jaguara, São Simão e Miranda - as quais a Cemig entende que não se enquadram às regras estipuladas na MP 579 e teriam direito a uma prorrogação automática. "Mesmo que não tenhamos sucesso em relação ao que estamos discutindo na Justiça, já temos um conforto para 2014 e 2015. Estamos reequilibrando o parque gerador", afirmou Bastos de Morais.

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