José Patricio/Estadão - 20/10/2014
José Patricio/Estadão - 20/10/2014

Cemig quer ampliar capital em R$ 1 bi para tentar manter usinas

Conselho de administração vai avaliar proposta de emissão de ações, mais uma tentativa da empresa para ficar com algumas das hidrelétricas que vão a leilão

Anne Warth e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2017 | 05h00

BRASÍLIA e RIO - A Cemig vai propor a seus acionistas um aumento de capital de até R$ 1 bilhão para tentar ficar com algumas de suas usinas. A informação foi antecipada pelo Estadão/Broadcast e, mais tarde, confirmada pela companhia. O governo marcou o leilão das hidrelétricas de Jaguara, São Simão, Miranda e Volta Grande para amanhã e pretende arrecadar R$ 11 bilhões.

Um dos parlamentares mais ativos na defesa da Cemig, o vice-presidente da Câmara, deputado Fabio Ramalho (PMDB-MG), disse que a operação terá como objetivo captar recursos para pagar a outorga de pelo menos uma das usinas. A intenção é ficar com Jaguara, cujo lance mínimo é de R$ 1,911 bilhão, ou Miranda, que deve custar R$ 1,110 bilhão. Sem as quatro usinas, a Cemig terá uma redução de 36% em seu parque gerador.

Para levantar os recursos necessários, a Cemig também aguarda a resposta do Citibank, para quem solicitou financiamento. Além disso, a empresa pretende vender alguns ativos, como a participação da empresa na transmissora Taesa, para conseguir manter ao menos parte das hidrelétricas sob seu controle.

Ontem, o conselho de administração da empresa convocou uma assembleia-geral extraordinária (AGE) no dia 26 de outubro para votar a proposta de aumento de capital de até R$ 1 bilhão, com a emissão de até 200 milhões de novas ações.

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Se conseguir homologar um acordo por uma das duas usinas (Jaguara ou Miranda), a Cemig vai tentar disputar a outra no leilão. A ideia é tentar arrematar ao menos uma delas por meio da Aliança Energia, empresa que pertence à Vale (55%) e à Cemig (45%).

Os dois maiores acionistas da Cemig são o Estado de Minas Gerais, com 17,17%, e a Andrade Gutierrez, com 6,70%. O BNDESPar detém 6,40%. Para manter as mesmas posições, os acionistas precisam usufruir o direito de preferência na compra de ações. Caso contrário, pode haver diluição de participação dos detentores em até 13,7%, informou a companhia.

O presidente da companhia, Bernardo Alvarenga, chega a Brasília hoje para tentar viabilizar o acordo. Se a proposta for homologada, a Cemig vai desistir da disputa judicial pelas hidrelétricas, desde que o governo federal faça o mesmo. Na semana passada, a Cemig voltou a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que suspenda o leilão até que as negociações com o governo sejam concluídas.

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Ações. De acordo com a Cemig, o aumento de capital será realizado por meio de subscrição particular, com a emissão de até 66.849.505 novas ações ordinárias (com direito a voto) e 133.150.495 novas ações preferenciais (com prioridade na distribuição de dividendos). O preço da ação será de R$ 6,57.

Os atuais acionistas da companhia terão preferência na operação. “Será dada preferência aos atuais acionistas da companhia de participarem do aumento de capital na proporção de suas participações sociais, sendo 0,1588762172 de nova ação para cada ação que possuírem ao final do dia da AGE que autorizar o aumento de capital”, informou a empresa. / Colaboraram Luciana Collet, Wagner Gomes e Fátima Laranjeira

 

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