Tiago Queiroz / Estadão
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Cemig tem resultado 86% menor do que o reportado em 2015

O lucro da estatal foi de R$ 334,7 milhões em 2016; no quarto trimestre a empresa teve prejuízo de R$ 299 milhões

Luciana Collet, Broadcast

12 de abril de 2017 | 09h00

SÃO PAULO - A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) registrou no quarto trimestre de 2016 um prejuízo líquido atribuído aos acionistas controladores de R$ 299 milhões, ante um lucro líquido de R$ 566 milhões anotado no mesmo período do exercício anterior. Com isso, a elétrica estatal fechou o ano passado com um lucro de R$ 334,7 milhões, queda de 86% frente o reportado em 2015.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização - ou Lajida) caiu 88% nos últimos três meses de 2016, para R$ 127 milhões, frente o R$ 1,079 bilhão de igual etapa de 2015. No consolidado de 2016, o Ebitda totalizou R$ 2,64 bilhões, montante 52% inferior aos R$ 5,54 bilhões do exercício anterior.

O desempenho negativo foi influenciado pelo registro de um ajuste referente à desvalorização em investimentos no valor de R$ 763 milhões, anotados nos últimos meses do ano, relacionado à mais valia das concessões, apurada quando dos aportes de capital na Renova, explicou a empresa. Em função dos estudos para avaliação da recuperabilidade dos valores registrados em relação ao fluxo de caixa descontado da investida, a administração da Cemig GT entendeu ser necessário um ajuste integral do valor mencionado acima, com o efeito no resultado do exercício", explicou, em seu relatório de resultados.

O risco de continuidade da Renova Energia, por sinal, foi tema de ênfase da auditoria independente que assina as demonstrações financeiras, a Deloitte. "A Companhia possui participação não controladora na Renova Energia S.A. cujas condições indicam a existência de incerteza significativa que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional da Renova Energia S.A.. Nossa opinião não contém ressalva relacionada a esse assunto.", salientou.

Além do ajuste referente à desvalorização na Renova, a empresa de energia renovável da Cemig também levou a estatal a registrar uma perda com equivalência patrimonial. No total, a companhia anotou um valor negativo no montante de R$ 349 milhões no trimestre nesta linha, somando de R$ 302 milhões no ano, comparados a um ganho de R$ 133 milhões nos últimos três meses de 2015 e de R$ 393 milhões no consolidado daquele ano. Conforme explicou a estatal mineira, a variação reflete, de acordo com as participações detidas, principalmente, os prejuízos registrados pela Renova Energia no ano passado. Adicionalmente, a companhia lembra que também foram feitos ajustes por perdas por desvalorização em ativos pela subsidiária Guanhães.

Do ponto de vista operacional, os números reportados pela Cemig também foram desfavoráveis. A elétrica anotou uma queda de 20% em sua receita líquida no período entre outubro e dezembro, em relação aos mesmos meses do ano anterior, passando de R$ 5,84 bilhões para R$ 4,67 bilhões. No consolidado de 2016, a baixa foi de 14%, para R$ 18,77 bilhões.

Nos últimos três meses do ano, a Cemig viu suas vendas a consumidores finais e consumo próprio caírem cerca de 7%, para 10.888 GWh, com um decréscimo de 6,5% no acumulado em 12 meses, para 43.083 GWh. O consumo de energia elétrica vem sendo afetado pelas condições adversas das conjunturas política e econômica nacional e, no mercado cativo, pelos sucessivos aumentos de tarifas de energia elétrica que, associados à aplicação da bandeira tarifaria, resultaram em significativo aumento no valor da conta de energia", salientou a companhia. Já no que diz respeito ao desempenho financeiro, a companhia foi pressionada pelo aumento dos encargos dos financiamentos, o que colaborou para que sua despesa financeira líquida saltasse 52% no trimestre, para R$ 384 milhões, somando R$ 1,44 bilhão no ano, alta de 7%.

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