Cemig tem greve de 24h

Empresa alega que não pode dar reajuste por causa da MP do setor elétrico

ALINE RESKALLA - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h13

Os funcionários da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) fizeram ontem uma paralisação de 24 horas na tentativa de pressionar a companhia por um reajuste salarial superior ao ofertado pela empresa, que é de 4,5%. Os trabalhadores alegam que o porcentual não cobre nem a inflação acumulada no período de um ano, de 5,9%. Por falta de acordo, a negociação foi parar na Justiça.

Outro motivo de discórdia entre patrões e empregados está na Medida Provisória 579, que endurece as regras dos contratos de concessão do setor elétrico ao mesmo tempo que prevê redução das tarifas pagas por empresas e famílias. De acordo com o sindicato, que reivindica 6%, a MP seria um dos argumentos da companhia para não conceder o reajuste.

Cortes. Os eletricitários também tentam chamar a atenção para o risco de corte de pessoal por parte da empresa. Em divulgação de resultado recente, diretores da companhia chegaram a admitir a necessidade de ajustes operacionais, embora negassem a possibilidade de demissões. De acordo com o Sindieletro, que representa a categoria, a paralisação desta quinta-feira alcançou 70% dos trabalhadores. No entanto, a Cemig fala em 10%.

Em nota enviada ao Estado, a Cemig informa que "apresentou uma proposta respeitosa, consideradas as perspectivas de futuro para a empresa definidas a partir da MP 579".

A nota diz que, "uma vez que não houve entendimento da situação por parte dos sindicatos, a Cemig solicitou a mediação da Justiça do Trabalho, através de Dissídio Coletivo".

Diferentemente do que afirma o sindicato, a Cemig diz que a proposta recompõe as perdas inflacionárias. Em relação à greve, a nota diz que as atividades não foram afetadas pela paralisação.

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