Cena externa positiva eleva apetite por risco e dólar cai

O mercado de câmbio doméstico interrompeu nesta terça-feira o movimento das duas últimas sessões e terminou com o dólar desvalorizado frente ao real, influenciado pelo tom positivo no cenário externo após o nervosismo da véspera.

REUTERS

18 de agosto de 2009 | 16h34

A moeda norte-americana caiu 1,18 por cento e fechou na mínima do dia, a 1,847 real na venda, após subir 0,16 por cento pela manhã.

"As cotações do dólar acompanharam duas variáveis externas; a oscilação da moeda dos EUA ante as principais divisas e os preços das commodities", avaliou a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares.

Ela citou ainda o movimento das principais bolsas de valores, que recuperavam parte das perdas registradas no dia anterior. Os investidores mostravam uma atitude mais otimista, embora a cautela com a recuperação da economia permaneça.

Os índices acionários asiáticos e europeus encerraram em alta. Em Nova York, as bolsas avançavam no final da tarde, movimento seguido pelo mercado de ações paulista.

O cenário mais calmo favoreceu a busca por ativos considerados de maior risco. Isso ajudou a depreciar o dólar no mercado internacional e contribuiu para a baixa da moeda também na cena local.

No momento em que as operações no mercado de câmbio doméstico se encerraram, o dólar perdia cerca de 0,5 por cento frente a uma cesta com as principais divisas globais.

Os preços do petróleo também seguiram o bom humor geral e saltaram 3,7 por cento no fechamento em Nova York.

Para o operador de câmbio Marcos Trabbold, da B&T Corretora, a tendência do dólar ante a moeda brasileira ainda é de queda. No entanto, ele ponderou que a volatilidade nos mercados ainda se faz presente, com incertezas sobre a recuperação das principais economias.

"No cenário atual, se a notícia não é tão boa, os investidores encontram um motivo para realizarem (lucros). Toda essa incerteza mexe com os mercados e afeta o câmbio", explicou.

ESTRANGEIROS

Tavares, da AGK Corretora, citou ainda um movimento de ingresso de recursos no mercado doméstico como mais um componente para a queda do dólar ante o real.

"Isso ocorre de acordo com a percepção do investidor global. A melhora no cenário externo favorece essas entradas e os estrangeiros têm parte nisso", afirmou.

De acordo com números da BM&FBovespa, as compras de investidores estrangeiros na bolsa paulista superam as vendas em 1,57 bilhão de reais em agosto. No acumulado do ano, a entrada líquida chega a 13,89 bilhões de reais.

(Reportagem de José de Castro)

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